O Banco Nacional de Angola (BNA) reviu em baixa a previsão da taxa de inflação para 2026, passando de 13,5% para 11,5%, numa altura em que os indicadores económicos apontam para uma desaceleração gradual da subida dos preços no país. A decisão foi anunciada pelo governador do BNA, Manuel Tiago Dias, no final da 129.ª Reunião Ordinária do Comité de Política Monetária.

Apesar da revisão da inflação, o banco central manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) angolano nos 3,5%, reforçando a expectativa de estabilidade macroeconómica ao longo do próximo ano.
Inflação em Angola mantém trajetória descendente
Segundo Manuel Tiago Dias, a inflação homóloga fixou-se em 11,58% no mês de abril, abaixo dos 12,42% registados em março. O governador sublinhou que a desaceleração dos preços foi observada em todas as províncias do país, refletindo uma tendência consistente de abrandamento inflacionista.
O responsável esclareceu, contudo, que a revisão em baixa da meta não significa uma redução dos preços, mas sim um menor ritmo de crescimento. Em abril, a inflação mensal foi de 0,58%, ligeiramente acima dos 0,55% observados no mês anterior.
“O nível geral de preços não baixou. O que verificamos é uma desaceleração do ritmo de subida”, explicou Manuel Tiago Dias durante a conferência de imprensa.
O governador destacou ainda que, ao analisar a inflação acumulada nos últimos 12 meses, a tendência continua claramente descendente. Em 2024, as taxas mensais de inflação rondavam os 2%, enquanto atualmente se situam abaixo de 1%.
BNA acompanha riscos externos e tensões no Médio Oriente
O Comité de Política Monetária garantiu que continuará a monitorizar os riscos internos e externos que possam influenciar a estabilidade económica do país, sobretudo num contexto internacional marcado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente.
De acordo com o comunicado final da reunião, o conflito na região tem provocado maior volatilidade nos mercados financeiros e no mercado internacional de “commodities”, particularmente no setor energético. O preço do barril de petróleo ultrapassou os 100 dólares nos meses de março e abril, pressionando os custos dos combustíveis e dos bens alimentares em várias economias.
Ainda assim, Manuel Tiago Dias considerou que o cenário angolano difere do registado em vários países ocidentais, onde a inflação continua a acelerar devido ao impacto da crise energética e alimentar.
“No nosso caso, a inflação homóloga continua numa trajetória descendente, mesmo perante as pressões externas”, afirmou o governador.
FMI revê crescimento económico mundial em baixa
O Fundo Monetário Internacional (FMI) também reviu recentemente em baixa as previsões para a economia mundial. Em abril de 2026, a instituição passou a prever um crescimento global de 3,1%, abaixo dos 3,3% estimados em janeiro.
Perante este cenário internacional mais incerto, o BNA assegurou que continuará a utilizar os instrumentos de política monetária necessários para preservar os ganhos alcançados no controlo da inflação e garantir maior estabilidade financeira em Angola.
A próxima reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola está agendada para os dias 13 e 14 de julho de 2026, na cidade de Malanje.

