Aos 46 anos, Hari Budha Magar alcançou um feito raro no mundo do alpinismo ao completar o desafio dos Sete Cumes, que consiste em atingir o ponto mais alto de cada continente. A conquista ganha particular relevo pelo facto de o alpinista ser um amputado bilateral acima do joelho, tendo recorrido a próteses especialmente adaptadas para enfrentar alguns dos ambientes mais hostis do planeta.

Natural do Nepal e residente no condado de Kent, no Reino Unido, Hari serviu como soldado Gurkha no Exército Britânico. Em 2010, durante uma missão no Afeganistão, sofreu ferimentos graves na sequência da explosão de um engenho explosivo improvisado, que resultaram na amputação de ambas as pernas. O acidente marcou um ponto de viragem na sua vida pessoal e profissional.
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Reabilitação, saúde mental e regresso às montanhas
Após o incidente, Hari enfrentou um período de profunda adaptação física e emocional. Diagnosticado com stress pós-traumático, descreveu sentimentos de perda de identidade, dificuldades de concentração e falta de confiança, após anos a definir-se como um militar preparado para situações de elevado risco. O apoio especializado prestado por uma organização britânica dedicada à saúde mental de ex-combatentes foi determinante para a sua recuperação psicológica.
Paralelamente, Hari encontrou na montanha um espaço de reconstrução pessoal. A decisão de regressar ao alpinismo implicou anos de reabilitação, aprendizagem do uso de próteses e desenvolvimento de técnicas próprias para se movimentar em terrenos de alta montanha, muitas vezes em condições extremas para as quais o equipamento não estava inicialmente preparado.
Desafios extremos e momentos de risco
O percurso pelos Sete Cumes foi marcado por exigências físicas e mentais elevadas. No passado dia 6 de janeiro, Hari concluiu a última etapa da sua jornada ao alcançar o topo do Monte Vinson, na Antártida, a 4.892 metros de altitude. Com esta ascensão, passou a integrar o restrito grupo de alpinistas que completaram o desafio, que inclui montanhas emblemáticas como o Evereste, na Ásia, o Aconcágua, na América do Sul, o Denali, na América do Norte, o Kilimanjaro, em África, o Elbrus, na Europa, e o ponto mais alto da Oceânia.

Apesar das imagens de celebração registadas nos cumes, Hari reconhece que enfrentou situações de perigo extremo ao longo das expedições. Recorda um episódio nos Alpes, em que um escorregão do guia quase resultou numa queda fatal, travada apenas pelo crampon fixado à sua prótese. Noutra ocasião, durante a ascensão ao Evereste, ficou sem oxigénio acima da chamada “zona da morte”, tendo sido salvo graças à rápida intervenção do guia, que lhe cedeu o seu próprio equipamento.
Impacto físico e mensagem de superação
O alpinista explica que a escalada com próteses exige um esforço significativamente superior, avançando a um ritmo mais lento e com um consumo energético muito maior do que o de outros escaladores. As próteses adaptadas, equipadas com tecnologia para aderência ao gelo, aumentam o peso transportado e provocam fricção constante, originando dores e feridas.
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Após a recente expedição à Antártida, Hari desenvolveu infeções nos cotos, encontrando-se atualmente com dificuldades de mobilidade. Ainda assim, mantém uma mensagem de resiliência e adaptação, sublinhando que as limitações físicas não definem o futuro de uma pessoa. A sua história tornou-se um exemplo de perseverança e inclusão, inspirando outras pessoas com deficiência a desafiarem barreiras e a redefinirem os seus próprios limites.

