Afegão condenado a 10 anos por violação em Southampton

Um migrante afegão foi condenado a 10 anos de prisão pela violação de uma mulher considerada vulnerável, na cidade de Southampton, no sul de Inglaterra. O crime ocorreu na madrugada de 12 de julho de 2022, depois de a vítima ter sido convidada a abandonar uma discoteca por se encontrar em estado de embriaguez.

Um migrante afegão
Afegão condenado a 10 anos por violação em Southampton © Hampshire and Isle of Wight Constabulary/PA Wire

O arguido, Musafar Hotak, que tinha 22 anos à data dos factos e atualmente tem 25, começou a seguir a jovem quando esta tentava regressar a casa e contactar a namorada. Durante o percurso, a vítima conseguiu enviar uma mensagem de voz a pedir-lhe que parasse, registo que viria a ser apresentado em tribunal como elemento de prova.

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Segundo foi relatado no Southampton Crown Court, a mulher recorda-se de ter perdido a consciência e de ter acordado já na residência do agressor, onde este se encontrava deitado sobre si, a agredi-la sexualmente e, posteriormente, a violá-la. Apesar de ter manifestado oposição verbal e pedido repetidamente que o arguido parasse, afirmou que não conseguiu defender-se devido à força física exercida contra si.

Após conseguir fugir do local, a vítima dirigiu-se às autoridades. Uma amostra biológica recolhida no âmbito da investigação confirmou a correspondência do ADN do arguido, elemento considerado determinante para a acusação e subsequente condenação.

Impacto psicológico profundo marcou a vítima

Durante a audiência de sentença, a jovem leu uma declaração de impacto na qual descreveu as consequências devastadoras do crime na sua vida pessoal e emocional. Afirmou viver em “medo constante” e referiu que o ataque deixou “marcas em todas as áreas” da sua existência.

Segundo o seu testemunho, o trauma levou-a a enfrentar episódios de ansiedade severa, sentimentos de vergonha e isolamento, bem como comportamentos de automutilação e uma tentativa de suicídio. Declarou ainda que passou a sentir-se “quebrada e vazia”, com receio do mundo que a rodeia.

O tribunal reconheceu o peso das declarações, considerando evidente o impacto psicológico profundo e duradouro provocado pelo crime.

Pena inclui período de licença alargado e eventual deportação

O juiz Gary Lucie condenou Hotak a 10 anos de prisão, acrescidos de um período adicional de quatro anos sob licença após o cumprimento da pena efetiva. Foi igualmente emitida uma ordem de restrição sem limite temporal que proíbe qualquer contacto com a vítima, bem como determinada a inclusão do arguido no registo de agressores sexuais.

Na leitura da sentença, o magistrado afirmou que o arguido se aproveitou deliberadamente do estado de vulnerabilidade da vítima, sublinhando que as consequências do crime poderão acompanhá-la para o resto da vida. O juiz prestou ainda homenagem à coragem demonstrada pela jovem ao denunciar os factos e ao enfrentar o processo judicial.

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A procuradora Elizabeth Medland, do Crown Prosecution Service, qualificou o ataque como “aterrorizador e traumático”, frisando que o testemunho firme da vítima foi essencial para garantir a condenação.

Por sua vez, um porta-voz do Home Office afirmou que todos os cidadãos estrangeiros condenados a penas superiores a 12 meses de prisão são automaticamente referenciados para deportação na primeira oportunidade, podendo ficar impedidos de regressar ao Reino Unido. A decisão final sobre uma eventual expulsão caberá às autoridades competentes após o cumprimento dos trâmites legais aplicáveis.

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