Espanha voltou a enfrentar uma grave tragédia ferroviária na noite de quarta-feira, com a morte de um maquinista e pelo menos 37 passageiros feridos na sequência do descarrilamento de um comboio suburbano na região da Catalunha. O acidente ocorreu a oeste de Barcelona e surge poucos dias depois de uma colisão entre dois comboios de alta velocidade que provocou mais de 40 mortos, reacendendo preocupações sobre a segurança da rede ferroviária espanhola.

De acordo com as autoridades, o comboio embateu violentamente contra um muro de contenção que havia colapsado sobre os carris, entre as estações de Sant Sadurní d’Anoia e Gelida, a cerca de 35 quilómetros de Barcelona. A primeira carruagem foi a mais afectada, concentrando a maioria dos feridos, uma vez que absorveu o impacto directo contra a estrutura. Cinco vítimas encontram-se em estado grave, enquanto as restantes sofreram ferimentos ligeiros a moderados.
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Todos os ocupantes foram evacuados da composição, tendo os serviços de emergência mobilizado 11 ambulâncias para o local após o alerta, registado às 21h02. Um dos passageiros ficou preso no interior da carruagem danificada, sendo posteriormente resgatado pelos bombeiros, segundo informou o corpo de protecção civil catalão.
Mau tempo e erosão do solo na origem do colapso da estrutura
As primeiras investigações apontam para a erosão do solo como causa provável do colapso do muro de contenção. A região nordeste de Espanha tem sido afectada por fortes chuvas e tempestades intensas nos últimos dias, condições meteorológicas que fragilizaram infra-estruturas e provocaram vários incidentes.
O jornal El País refere que a acumulação de água e o desgaste do terreno terão contribuído para a queda da estrutura sobre a linha ferroviária, sem que houvesse tempo para evitar o embate do comboio. As autoridades ferroviárias iniciaram uma avaliação técnica para apurar se existiam sinais prévios de instabilidade e se os protocolos de segurança foram cumpridos.
Série de incidentes leva à suspensão da circulação ferroviária na Catalunha
Este descarrilamento ocorreu apenas um dia depois de outro incidente na rede suburbana de Barcelona. Na terça-feira, um comboio que fazia a ligação entre Blanes e Maçanet-Massanes saiu da linha depois de um eixo ter sido atingido por uma rocha deslocada pela tempestade, segundo a gestora da rede ferroviária espanhola, Adif. Apesar de não se terem registado feridos, a circulação foi imediatamente suspensa nesse troço.
Perante a sucessão de ocorrências, o tráfego ferroviário foi interrompido em toda a rede da Catalunha como medida preventiva. O Sindicato Espanhol dos Maquinistas exigiu uma inspecção exaustiva de toda a infra-estrutura ferroviária para avaliar os impactos das recentes tempestades e defendeu a suspensão dos serviços suburbanos “até nova ordem”, de forma a garantir a segurança de passageiros e trabalhadores.
Colisão de alta velocidade em Córdova agravou clima de alarme
Os recentes descarrilamentos acontecem num contexto particularmente sensível para o sector ferroviário espanhol. No domingo, pelo menos 42 pessoas morreram após a colisão entre dois comboios de alta velocidade na província de Córdova, num dos acidentes mais mortais dos últimos anos.

O acidente deu-se quando um comboio com destino a Madrid entrou inadvertidamente numa via adjacente, colidindo de forma descrita pelas autoridades como “extremamente violenta” com uma composição que seguia para a cidade portuária de Huelva, na Andaluzia. O comboio que se dirigia para sul descarrilou a cerca de 200 quilómetros por hora e caiu por uma encosta ferroviária na zona de Adamuz.
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As duas composições transportavam cerca de 400 passageiros e membros da tripulação. O impacto deixou várias pessoas presas nos destroços e projectou outras a grande distância, dificultando as operações de socorro. As causas exactas da colisão continuam sob investigação, numa altura em que aumenta a pressão pública para reforçar os sistemas de controlo e segurança da rede ferroviária nacional.
Notícia relacionada: Para mais informações sobre o acidente ferroviário registrado anteriormente, confira “Tragédia ferroviária em Espanha: colisão mata pelo menos 39 pessoas”
Autoridades prometem reforçar medidas de segurança
O Governo espanhol garantiu que irá acompanhar de perto as investigações aos acidentes e reforçar as medidas de monitorização das infra-estruturas ferroviárias, sobretudo em zonas afectadas por fenómenos meteorológicos extremos. Especialistas alertam que as alterações climáticas, com episódios de chuva intensa mais frequentes, exigem uma adaptação urgente dos sistemas de manutenção e prevenção de riscos.
Enquanto prosseguem as investigações, milhares de passageiros continuam a enfrentar constrangimentos na mobilidade, num cenário que coloca a segurança ferroviária no centro do debate público em Espanha.

