20 mil clientes sem serviços fixos após tempestade Kristin

Cerca de 20 mil clientes continuam sem acesso a serviços fixos de comunicações em Portugal, três meses depois da passagem da depressão Kristin, fenómeno meteorológico que causou danos significativos em várias infraestruturas no país. A informação foi divulgada pela Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), com base nos dados transmitidos pelos operadores do sector.

20 mil clientes continuam sem acesso a serviços
20 mil clientes sem serviços fixos após tempestade Kristin © Paulo Cunha/LUSA

Segundo a entidade reguladora, apesar dos avanços registados nos trabalhos de recuperação, ainda subsistem milhares de acessos afetados, sobretudo nas redes fixas, cuja reposição exige intervenções mais demoradas e tecnicamente complexas.

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A tempestade atingiu o território nacional a 28 de janeiro e provocou falhas generalizadas nos serviços de telecomunicações, afetando de forma expressiva consumidores particulares, empresas e instituições públicas.

Mais de 200 mil acessos fixos e 300 mil utilizadores móveis afetados

Na sequência da depressão Kristin, mais de 200 mil acessos fixos ficaram inoperacionais, bem como cerca de 300 mil utilizadores da rede móvel, segundo dados recordados agora pela Anacom.

Os estragos resultaram da destruição de postes, cabos aéreos de fibra ótica, caixas técnicas e torres de suporte de antenas, comprometendo a cobertura e o funcionamento normal das redes em diversas regiões do país.

Face à dimensão da ocorrência, os operadores e entidades responsáveis pelas infraestruturas mobilizaram equipas técnicas no terreno para dar resposta às falhas e restabelecer gradualmente os serviços interrompidos.

Prioridade inicial foi garantir comunicações essenciais

Nos primeiros dias após a tempestade, a prioridade centrou-se em assegurar comunicações estratégicas e de emergência. Para isso, foram utilizados geradores, ligações por satélite, feixes hertzianos e estações móveis transportáveis.

Estas soluções temporárias permitiram apoiar operações coordenadas pela Proteção Civil e restabelecer serviços mínimos em zonas críticas, enquanto decorriam os trabalhos de reparação estrutural.

Numa segunda fase, os operadores avançaram para a recuperação do “backbone” da rede, isto é, os principais eixos de conectividade nacional, permitindo restabelecer ligações em cidades e localidades prioritárias.

De acordo com a Anacom, as redes móveis encontram-se operacionais desde o início de abril.

Recuperação da rede fixa continua mais lenta e exigente

A normalização da rede fixa tem sido substancialmente mais demorada, uma vez que exige a reconstrução da chamada rede capilar, responsável pela ligação direta a habitações, empresas e estabelecimentos comerciais.

Cada ligação danificada necessita de intervenção individualizada, o que prolonga o prazo de recuperação total em determinadas zonas, sobretudo nas mais afetadas pelo temporal.

A entidade reguladora admite que, em alguns casos, poderão ser necessárias ainda várias semanas até que todos os serviços sejam plenamente restabelecidos.

Consumidores apresentaram mais de 1.200 reclamações

Até à última quarta-feira, a Anacom recebeu cerca de 1.200 reclamações escritas relacionadas com os fenómenos meteorológicos extremos registados no início do ano.

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Entre os principais problemas reportados estão atrasos na reposição dos serviços, reincidência de falhas após reparações, interrupções no telefone fixo e móvel, dificuldades no acesso à internet, falhas no serviço de televisão por subscrição e problemas na televisão digital terrestre.

Muitos consumidores queixaram-se também da dificuldade em contactar os operadores através das linhas de apoio ao cliente, com tempos de espera prolongados ou ausência total de atendimento.

Faturação e cancelamentos entre as principais queixas

A Anacom refere ainda que foram registadas reclamações relacionadas com faturação, nomeadamente cobrança de períodos em que os serviços estiveram indisponíveis, demora no processamento de créditos e compensações consideradas insuficientes.

Outros clientes reportaram obstáculos no cancelamento antecipado de contratos devido às interrupções prolongadas, bem como falta de comparência de técnicos agendados para reparações ou sucessivos reagendamentos.

Também foram comunicadas situações de postes derrubados, cabos caídos e caixas técnicas abertas, aumentando as preocupações com segurança e rapidez de resposta.

Operadores continuam sob pressão para concluir reposição

A persistência de milhares de clientes sem serviços fixos mantém a pressão sobre os operadores de telecomunicações para acelerar os trabalhos de recuperação.

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A Anacom garante que continuará a acompanhar a situação e a exigir informação regular às empresas do sector, enquanto os consumidores aguardam pela normalização total dos serviços.

Três meses após a tempestade, a depressão Kristin continua assim a ter impacto direto no quotidiano de milhares de portugueses, evidenciando a vulnerabilidade das infraestruturas críticas perante eventos meteorológicos extremos.

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