O pré-candidato à Presidência do Brasil, Romeu Zema, do partido NOVO, afirmou que a equipa jurídica da sua estrutura política está a analisar a possibilidade de avançar judicialmente contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Em causa estão declarações do magistrado sobre o sotaque mineiro, consideradas ofensivas pelo ex-governador de Minas Gerais.

A posição foi assumida durante um evento ligado ao agronegócio realizado este sábado em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Zema voltou a abordar os recentes confrontos públicos com Gilmar Mendes e contestou comentários feitos pelo ministro numa entrevista televisiva, em que afirmou que o político “fala uma língua próxima do português”.
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Segundo Zema, a frase representa uma ofensa não apenas pessoal, mas também dirigida a milhões de brasileiros do interior do país. O antigo governador defendeu que fala como muitos cidadãos trabalhadores e contribuintes, criticando o que considera uma postura distante da realidade nacional por parte de membros do Supremo.
Tensão entre Zema e STF intensifica-se nas últimas semanas
Os atritos entre Romeu Zema e Gilmar Mendes surgem num contexto de críticas mais amplas do político mineiro ao Supremo Tribunal Federal. Nos últimos meses, o ex-governador endureceu o discurso contra a corte, defendendo reformas institucionais e até mecanismos de responsabilização de ministros, temas que passou a incluir no seu posicionamento político nacional.
Zema tem também questionado publicamente decisões do STF e alegadas relações entre magistrados e figuras do setor financeiro, numa série de publicações divulgadas nas redes sociais sob o título “Intocáveis”.
As críticas levaram Gilmar Mendes a responder publicamente, referindo a existência de uma alegada campanha de difamação contra o Supremo. O ministro afirmou que pretende combater ataques à instituição e reiterou a defesa da atuação da corte.
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Declarações polémicas e pedido de desculpas
A controvérsia agravou-se após comentários de Gilmar Mendes sobre sátiras envolvendo Romeu Zema. O ministro referiu que o político não aceitaria ser retratado como um boneco homossexual, declaração que gerou forte reação pública.
Posteriormente, Gilmar Mendes apresentou um pedido de desculpas pela referência, procurando encerrar a polémica. Ainda assim, o episódio manteve o clima de tensão entre ambas as figuras públicas.
Para Zema, as declarações recentes acumulam ofensas dirigidas a diferentes grupos e regiões do país, incluindo mineiros e goianos. O político defendeu que tais comentários não condizem com a responsabilidade institucional de um magistrado do Supremo Tribunal Federal.
Possível inclusão em inquérito aumenta confronto político
Na última semana, Gilmar Mendes pediu a inclusão de Romeu Zema no chamado inquérito das fake news, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, devido às publicações críticas dirigidas ao STF.
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A eventual medida gerou reações no campo político brasileiro. Entre os que se manifestaram esteve Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e também pré-candidato presidencial, que considerou excessiva a atuação do Supremo neste caso e saiu em defesa de Zema.
Até ao momento, o STF ainda não tomou uma decisão sobre a eventual inclusão de Romeu Zema no processo. Entretanto, o confronto entre o político mineiro e membros da mais alta instância judicial brasileira continua a ganhar relevância no debate público nacional.

