O túmulo de James Bulger, a criança assassinada em 1993 num dos crimes mais marcantes da história recente do Reino Unido, foi alvo de vandalismo, num episódio que reacendeu a dor da família e gerou forte indignação pública. A mãe do menino, Denise Fergus, declarou que o seu “coração voltou a partir-se” ao tomar conhecimento dos danos provocados na campa do filho.

Segundo informações partilhadas pela própria nas redes sociais, a lápide foi danificada e as duas figuras de querubins colocadas de cada lado foram destruídas, tendo sido encontradas com as cabeças partidas e espalhadas no chão, entre fragmentos de mármore. O ato de vandalismo terá ocorrido entre as 10h00 e as 15h30 do dia 26 de fevereiro.
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Denise Fergus denuncia ato “cruel” e pede colaboração pública
A vandalização foi descoberta após uma mulher que passeava o cão no cemitério ter alertado a família para a situação. Denise Fergus deslocou-se de imediato ao local e confirmou os estragos, descrevendo o momento como devastador.
Numa publicação emocionada, afirmou sentir-se profundamente abalada com o sucedido, sublinhando que é incompreensível que alguém tenha sido capaz de profanar a campa de uma criança. A mãe recordou ainda o trabalho que tem desenvolvido ao longo dos anos no apoio a outras famílias vítimas de crimes violentos, quer através de campanhas por justiça, quer por intermédio da instituição criada em memória do filho, a James Bulger Memorial Trust.
No mesmo apelo público, pediu a quem tenha informações que contacte a referida organização ou a Merseyside Police, reforçando a necessidade de identificar os responsáveis.
As autoridades condenaram o ataque de forma veemente. O inspetor Chris Taylor classificou o sucedido como “abominável e verdadeiramente chocante”, garantindo que o caso está a ser tratado com a máxima seriedade. Segundo o responsável policial, agentes deslocaram-se ao local após a denúncia e estão a desenvolver diligências para apurar as circunstâncias do crime, assegurando igualmente apoio à família durante a investigação.
Crime que marcou uma geração permanece na memória coletiva
James Bulger tinha apenas dois anos quando foi raptado e assassinado, em fevereiro de 1993, por Jon Venables e Robert Thompson, que tinham então 10 anos. O caso chocou o país pela brutalidade dos factos e pela idade dos autores, tornando-se um dos processos criminais mais mediáticos da justiça britânica.
Ao longo das últimas décadas, o nome de James Bulger manteve-se presente na esfera pública, não só pela memória do crime, mas também pelas sucessivas decisões relacionadas com a situação prisional de Jon Venables. O episódio de vandalização surge, assim, num contexto particularmente sensível para a família.
Em 2023, o Parole Board rejeitou um pedido de libertação apresentado por Venables, concluindo que este continuava a representar um risco para crianças e poderia reincidir. O organismo responsável pelas decisões de liberdade condicional em Inglaterra e no País de Gales tem reavaliado periodicamente o seu caso.
Venables foi libertado sob licença em julho de 2001, mas regressou à prisão em fevereiro de 2010, após terem sido encontradas imagens indecentes de menores no seu computador. Voltou a ser libertado em agosto de 2013 e novamente detido em novembro de 2017 pelo mesmo tipo de infração. O seu processo foi analisado novamente em setembro de 2020, permanecendo sob escrutínio das autoridades competentes.
Indignação pública e reforço da segurança
O novo ataque ao túmulo provocou reações de indignação nas redes sociais e entre membros da comunidade local, que manifestaram solidariedade para com Denise Fergus e apelaram ao respeito pela memória da criança. A vandalização de sepulturas é considerada um crime grave no Reino Unido, podendo implicar penas de prisão e multas significativas.

As autoridades não divulgaram, até ao momento, informações sobre suspeitos ou eventuais testemunhas, mas reiteraram que todas as linhas de investigação estão a ser consideradas. A polícia deverá analisar eventuais imagens de videovigilância existentes nas imediações do cemitério e recolher depoimentos de pessoas que se encontravam na zona no período em causa.
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Para a família, o episódio representa mais um duro golpe num percurso marcado por décadas de exposição mediática e sucessivos processos judiciais. Mais de 30 anos após o crime que abalou o país, a memória de James Bulger continua a suscitar comoção — e a exigir respeito.

