Uma semana de guerra no Médio Oriente: cronologia do conflito

Uma semana após os primeiros ataques no Irão, o conflito no Médio Oriente já deixou um rasto de destruição, milhares de vítimas e crescente preocupação internacional. O confronto militar entre o Irão e a coligação liderada pelos Estados Unidos e por Israel intensificou-se rapidamente, com ataques aéreos, lançamentos de mísseis e incidentes em vários países da região.

Uma semana após os primeiros ataques no Irão
Uma semana de guerra no Médio Oriente: cronologia do conflito © Reuters

O conflito começou a escalar no último sábado, quando os primeiros mísseis atingiram a capital iraniana, Teerão, num ataque que resultou na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, os confrontos alastraram a várias zonas do Médio Oriente e aumentaram os receios de um impacto significativo na segurança regional e na economia mundial.

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Ataque inicial em Teerão marca início da escalada

Um dos primeiros e principais alvos do ataque foi o complexo altamente protegido associado ao líder supremo iraniano. Segundo informações divulgadas por fontes de inteligência, agências como a CIA e o serviço secreto israelita Mossad terão monitorizado durante meses os movimentos de Khamenei e da sua equipa de segurança.

Após indicações de que o líder iraniano e vários responsáveis militares e governamentais estariam reunidos no local, a operação foi antecipada. Caças israelitas terão descolado por volta das 6h00 e o complexo foi atingido cerca das 9h40 da manhã.

Ainda no início do conflito, um bombardeamento na cidade de Minab, no sul do Irão, terá provocado a morte de até 168 estudantes, segundo os meios de comunicação estatais iranianos. Outros cerca de 100 alunos ficaram feridos. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) classificou o ataque como uma grave violação do direito internacional, embora o número exato de vítimas ainda não tenha sido confirmado de forma independente.

Espaço aéreo encerrado e voos cancelados

A intensificação da guerra provocou perturbações significativas no transporte aéreo internacional. Vários países da região encerraram temporariamente o espaço aéreo, enquanto diversas companhias aéreas optaram por evitar rotas sobre o Irão, o Iraque e o Golfo Pérsico.

Como consequência, os voos para, a partir e através da região sofreram grandes atrasos e cancelamentos. Aeroportos importantes, incluindo o de Dubai, foram afetados, deixando milhares de passageiros com opções limitadas para abandonar a região.

Reino Unido autoriza uso de bases militares pelos EUA

No domingo, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, autorizou oficialmente os Estados Unidos a utilizarem bases militares no Reino Unido para operações relacionadas com o conflito.

Inicialmente, o governo britânico tinha negado essa possibilidade, numa tentativa de evitar que o país fosse visto como parte direta da guerra. A decisão gerou críticas do presidente norte-americano Donald Trump, que comparou negativamente Starmer ao antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

Incidentes militares e ataques com drones

O conflito registou também episódios inesperados e acidentes militares. No Kuwait, três caças norte-americanos F-15E foram abatidos por engano num incidente de fogo amigo. Os pilotos conseguiram ejetar-se em segurança e foram posteriormente resgatados.

Na terça-feira, dois drones atingiram a embaixada dos Estados Unidos em Riade, na Arábia Saudita. O ataque provocou pequenos danos materiais e um incêndio de reduzida dimensão, mas não causou vítimas. Washington atribuiu a responsabilidade a forças ligadas ao Irão e ameaçou retaliar.

Ataques em vários países da região

Na quarta-feira, ataques aéreos israelitas atingiram vários alvos no Líbano, particularmente na capital Beirute, onde posições associadas ao grupo Hezbollah foram bombardeadas. Pelo menos 11 pessoas morreram após um hotel e um edifício residencial serem atingidos.

Entretanto, um navio com bandeira de Malta foi atingido por um projétil enquanto navegava no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo.

O receio de novos ataques levou muitos petroleiros a suspenderem a passagem pela estreita via marítima, considerada vital para o abastecimento energético mundial.

Reino Unido reforça presença militar e evacua cidadãos

Na quinta-feira, o governo britânico anunciou o envio de quatro caças Typhoon adicionais para o Qatar, com o objetivo de proteger cidadãos britânicos e aliados na região.

Até esse momento, o número total de mortos no conflito ultrapassava mil pessoas. Estimativas indicavam cerca de 1.200 mortos no Irão, mais de 100 no Líbano, 10 em Israel e seis militares norte-americanos.

Paralelamente, vários países iniciaram operações de evacuação. O primeiro voo fretado que transportava cidadãos britânicos a partir de Mascate, capital de Omã, aterrou no aeroporto de Stansted pouco antes da 1h00 da madrugada.

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De acordo com dados oficiais, mais de 140 mil cidadãos britânicos encontram-se no Médio Oriente, enquanto cerca de 4.000 já regressaram ao Reino Unido desde o início da crise.

Impacto no comércio global gera preocupação internacional

A escalada da guerra também está a provocar inquietação nos mercados internacionais, sobretudo devido à interrupção do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz.

A ameaça de ataques a navios associados aos Estados Unidos, Israel ou países europeus levou muitas embarcações a evitar a passagem pela rota marítima, responsável por cerca de um quinto do comércio global de petróleo.

Especialistas alertam que, caso a situação se prolongue, as consequências poderão afectar o fornecimento energético mundial, os preços do petróleo e a estabilidade económica global.

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