Um turista norte-americano acusado de entrar ilegalmente na Ilha North Sentinel, na Índia, e de deixar uma lata de Diet Coke junto de uma tribo isolada permaneceu detido após o tribunal recusar o pedido de libertação sob fiança. O caso gerou forte indignação devido ao risco imposto à comunidade indígena protegida.

Mykhailo Viktorovych Polyakov, youtuber de 25 anos, foi inicialmente detido em março de 2025, dois dias depois de alegadamente ter desembarcado na ilha, localizada no arquipélago de Andaman e Nicobar, a cerca de 1.200 quilómetros da costa continental indiana.
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Ilha North Sentinel é zona proibida e protegida por lei
A Ilha North Sentinel é habitada pelos sentineleses, uma das comunidades indígenas mais isoladas do mundo. O contacto com pessoas exteriores é estritamente proibido pelas autoridades indianas, tanto para proteger a população local como para preservar o seu modo de vida tradicional.
Segundo a polícia, Polyakov permaneceu na ilha durante cerca de uma hora. Durante esse período, terá gravado imagens para o seu canal de YouTube e utilizado um apito para tentar atrair a atenção dos habitantes.
Antes de abandonar o local, deixou uma lata de refrigerante e um coco, alegadamente como “oferta”, tendo ainda recolhido amostras de areia antes de regressar ao barco.
Pescadores alertaram autoridades para presença do turista
A presença do norte-americano foi detetada por pescadores locais, que comunicaram de imediato o incidente às autoridades. Mais tarde, Polyakov foi detido em Port Blair, capital de Andaman e Nicobar.
Foi acusado de entrar numa reserva tribal proibida e de violar leis indianas que impedem qualquer interação de estrangeiros com os sentineleses.
De acordo com a imprensa britânica, o tribunal recusou esta semana o pedido de fiança e prolongou a detenção preventiva. Se for condenado, poderá enfrentar uma pena de até cinco anos de prisão. A próxima audiência está marcada para 29 de abril.
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Investigação aponta planeamento prévio da viagem
As autoridades indicam que Polyakov já tinha tentado anteriormente aceder à ilha por duas vezes, incluindo uma tentativa com um caiaque insuflável.
Os investigadores sustentam ainda que o youtuber estudou previamente as condições do mar, marés e acessibilidade ao território antes de avançar com a viagem.
Num comunicado divulgado após a detenção, a polícia afirmou que as ações do turista representaram “uma séria ameaça à segurança e bem-estar do povo sentinelês”.
Tribo vive isolada há milhares de anos
Segundo a organização Survival International, dedicada à defesa dos povos tribais, os sentineleses vivem naquela ilha há cerca de 60 mil anos.
A comunidade utiliza canoas artesanais, arcos e flechas para caçar, recolher alimentos e afastar intrusos. Ao longo da história moderna, várias tentativas de contacto foram feitas por exploradores, antropólogos, missionários e curiosos, muitas delas sem sucesso.
Em 2018, o missionário norte-americano John Allen Chau terá sido morto após tentar entrar na ilha para evangelizar a população, num dos casos mais mediáticos relacionados com North Sentinel.
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Caso reacende debate sobre turismo extremo e respeito cultural
O episódio voltou a levantar críticas sobre comportamentos de turismo extremo e criação de conteúdos para redes sociais à custa de comunidades vulneráveis.
Especialistas alertam que qualquer contacto externo pode colocar em risco a saúde dos sentineleses, devido à falta de imunidade a doenças comuns, além de ameaçar a preservação da sua autonomia cultural.

