O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso face ao Irão ao afirmar que poderá “explodir e obliterar completamente” infraestruturas críticas do país caso não seja alcançado um acordo para terminar o conflito em curso.

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A ameaça surge no momento em que milhares de paraquedistas norte-americanos começam a chegar ao Médio Oriente. Elementos da 82.ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA já estão no terreno numa operação que poderá abrir caminho ao destacamento de forças dentro do território iraniano.
Num comunicado publicado na sua plataforma Truth Social, Trump indicou que está a ponderar atingir centrais elétricas, poços de petróleo e instalações de dessalinização, essenciais para o abastecimento de água potável numa região com escassez de recursos hídricos. O Presidente justificou a possível ofensiva como retaliação pelas mortes de militares norte-americanos ao longo das últimas décadas.
Infraestruturas energéticas e crise global no centro do conflito
Especialistas alertam que um eventual ataque a infraestruturas energéticas iranianas poderá agravar significativamente a crise energética global e dificultar a reconstrução do país, mesmo em caso de mudança de regime.
A tensão aumentou após novos ataques com mísseis iranianos terem atingido instalações de energia e dessalinização na região. Num desses incidentes, no Kuwait, morreu um trabalhador e registaram-se danos materiais consideráveis.
O Irão respondeu com ameaças diretas. O porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari afirmou que as tropas norte-americanas estão a ser conduzidas para um “pântano de morte”. Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que as forças iranianas aguardam a chegada dos militares dos EUA para os incendiar.
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Apesar da retórica agressiva, Trump tem alternado posições. Após ter ameaçado agir em 48 horas caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, acabou por conceder um prazo adicional de cinco dias após conversações que classificou como construtivas. Esse prazo expirou sem avanços.
Petróleo e estratégia geopolítica dominam discurso de Trump
Numa entrevista ao Financial Times, Trump admitiu que o controlo dos recursos energéticos iranianos é uma das suas prioridades. O Presidente afirmou que a sua opção preferida seria assumir o controlo do petróleo do Irão, comparando a estratégia a operações recentes na Venezuela.
O líder norte-americano indicou ainda que a tomada da ilha de Kharg, um ponto crucial para a economia petrolífera iraniana, seria relativamente fácil, sublinhando que os Estados Unidos têm muitas opções.
Entretanto, a presença militar dos EUA na região aumentou para cerca de 50 mil efetivos, mais 10 mil do que o habitual. A operação inclui forças navais lideradas pelo navio de guerra USS Tripoli.
Impacto económico global e reação internacional
O conflito já começa a ter reflexos na economia global. O preço do petróleo Brent ultrapassou os 116 dólares por barril nos mercados asiáticos, caminhando para um dos maiores aumentos mensais de sempre.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer prepara reuniões com líderes empresariais para avaliar os impactos económicos da crise. A chanceler Rachel Reeves participará também numa reunião de emergência do G7, acompanhada pelo secretário da Energia Ed Miliband.
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Paralelamente, os custos energéticos já afetam diretamente empresas e consumidores. No Reino Unido, o aumento do preço do gasóleo, agora significativamente mais caro do que a gasolina, está a pressionar pequenas empresas, especialmente no setor dos transportes e entregas.
O agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irão continua a gerar preocupação internacional, tanto pelo risco de escalada militar como pelos seus efeitos económicos à escala global.

