O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou o discurso intervencionista em relação a países aliados e vizinhos, ao anunciar prazos para uma eventual ação norte-americana sobre a Gronelândia e ao admitir a possibilidade de uma intervenção militar na Colômbia. As declarações surgem na sequência do que Washington considera ter sido um sucesso numa recente operação contra a liderança venezuelana, alimentando receios de uma escalada diplomática e militar.

Gronelândia no centro da estratégia dos Estados Unidos
Durante uma viagem a bordo do Air Force One, Trump afirmou que a Gronelândia é essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos, colocando pela primeira vez prazos concretos, ainda que contraditórios, para avançar sobre o território autónomo da Dinamarca. O líder norte-americano defendeu que Copenhaga não tem capacidade para garantir a defesa da região, sublinhando a importância estratégica da ilha no contexto do Ártico.
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As declarações provocaram reações imediatas. O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens Frederik Nielsen, rejeitou categoricamente qualquer ingerência externa, posição reforçada pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que considerou “absolutamente absurdo” qualquer tentativa de controlo norte-americano. França manifestou também solidariedade com a Dinamarca, defendendo o respeito pelas fronteiras e pela autodeterminação dos povos.
Especialistas em defesa alertam para o peso geoestratégico da Gronelândia, não apenas pela presença de minerais críticos para a transição energética, como as terras raras, mas também pelo seu papel na vigilância militar do Ártico e no controlo de rotas comerciais emergentes. Analistas admitem que, do ponto de vista operacional, os Estados Unidos teriam capacidade para reforçar rapidamente a sua presença militar na região.
Trump volta a atacar a Colômbia e agrava tensão diplomática
No mesmo contexto, Donald Trump dirigiu duras acusações ao presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem voltou a associar ao tráfico de cocaína, sem apresentar provas. Questionado sobre a hipótese de uma intervenção militar semelhante à realizada na Venezuela, Trump afirmou que essa possibilidade lhe parecia “adequada”, alegando elevados níveis de violência no país sul-americano.
Gustavo Petro respondeu de forma contundente, rejeitando as acusações e acusando Washington de calúnia e de ingerência ilegítima nos assuntos internos da Colômbia. O governo colombiano classificou as declarações como uma “interferência inaceitável” e exigiu respeito pela soberania nacional.
EEUU es el primer país del mundo en bombardear una capital suramericana en toda la historia humana. Ni Netanyahu lo hizo, ni Hitler ni Franco ni Salazar
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 5, 2026
Que terrible medalla esa porque por generaciones no olvidarán los suramericanos.
La herida queda abierta por mucho tiempo,… https://t.co/PlYjwVJqLa
Apesar de serem aliados militares e económicos de longa data, as relações entre Bogotá e Washington têm-se deteriorado desde o início do segundo mandato de Trump, marcadas por divergências sobre comércio, migração e política regional.
Cuba fragilizada após perda do apoio venezuelano
Trump comentou ainda a situação de Cuba, afirmando que o regime de Havana estaria “prestes a cair”, sobretudo devido à perda do apoio energético da Venezuela. Segundo o presidente norte-americano, a redução do fornecimento de petróleo subsidiado fragiliza significativamente a economia cubana, tornando desnecessária qualquer intervenção directa dos Estados Unidos.
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As recentes declarações de Trump reforçam a perceção de uma política externa mais agressiva, levantando preocupações quanto ao respeito pelo direito internacional e ao impacto destas posições na estabilidade das relações entre os Estados Unidos, os seus aliados e a América Latina.

