Uma expedição de mergulho nas Maldivas terminou em tragédia após a morte de seis pessoas num sistema de grutas subaquáticas conhecido como Devana Kandu. As autoridades continuam a investigar as circunstâncias do acidente, enquanto especialistas levantam suspeitas de que regras de segurança terão sido violadas durante o mergulho.

Entre as vítimas estão cinco cidadãos italianos que participavam numa missão científica dedicada ao estudo de corais moles. O sexto morto foi um mergulhador de resgate das forças militares das Maldivas, que perdeu a vida durante as operações de recuperação dos corpos.
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Grupo entrou em gruta subaquática a mais de 48 metros de profundidade
O acidente ocorreu na chamada “gruta dos tubarões”, localizada no sistema de cavernas Devana Kandu, uma zona conhecida pela complexidade e perigosidade dos mergulhos em profundidade.
As vítimas foram identificadas como a professora de ecologia Monica Montefalcone, a sua filha Giorgia Sommacal, a investigadora Muriel Oddenino, o biólogo marinho Federico Gualtieri e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti.
Os corpos de quatro membros do grupo foram encontrados no interior da gruta durante uma operação considerada tecnicamente complexa pelas autoridades locais. Dois dos corpos já foram recuperados, enquanto os restantes deverão ser retirados nos próximos dias.
Segundo informações preliminares, o grupo encontrava-se a cerca de 160 pés de profundidade, equivalente a aproximadamente 48 metros, quando ocorreu o incidente.
Especialista acredita que regras de segurança foram ignoradas
O mergulhador experiente Shafraz Naeem, que conhece o sistema de cavernas Devana Kandu e já explorou a área dezenas de vezes, afirmou acreditar que várias normas de segurança terão sido desrespeitadas durante a expedição.
De acordo com o especialista, apenas a primeira câmara da gruta recebe luz natural, sendo o restante percurso completamente escuro. Naeem considera extremamente perigoso realizar mergulhos daquela profundidade utilizando ar comprimido convencional.
O especialista levantou ainda a hipótese de o instrutor de mergulho ter abandonado o grupo numa tentativa de regressar à superfície antes de ficar sem oxigénio. Segundo a sua análise, os restantes mergulhadores terão morrido numa das câmaras mais profundas da gruta, enquanto o instrutor foi encontrado numa passagem de saída.
As autoridades não confirmaram esta teoria, mas a investigação em curso procura determinar exatamente o que aconteceu durante a operação subaquática.
Embarcação não tinha autorização para mergulhos profundos
As autoridades revelaram ainda que a expedição partiu do iate Duke of York, embarcação que alegadamente não possuía licença para autorizar mergulhos acima dos 100 pés de profundidade.
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O operador turístico italiano responsável pela viagem negou ter autorizado ou ter conhecimento do mergulho profundo realizado pelo grupo. Em declarações à imprensa italiana, o advogado da empresa afirmou que a descida efetuada pelos mergulhadores excedia os limites permitidos pelas regras locais.
As investigações deverão analisar se existiram falhas humanas, negligência ou incumprimento dos protocolos de segurança durante a preparação da expedição.
Mergulhador militar morreu durante missão de resgate
Além das cinco vítimas italianas, o mergulhador militar maldivo Mohamed Mahudhee morreu no sábado devido a doença de descompressão enquanto participava nas operações de recuperação dos corpos.
A doença de descompressão ocorre quando um mergulhador sobe demasiado rápido à superfície após permanecer em grandes profundidades, provocando a formação de bolhas de gás no organismo.
A morte do socorrista reforçou a complexidade e os riscos associados às operações realizadas no interior do sistema de cavernas submarinas.
Família de vítima rejeita hipótese de imprudência
Carlo Sommacal, marido de Monica Montefalcone e pai de Giorgia Sommacal, afirmou à imprensa italiana que a esposa era considerada uma das melhores mergulhadoras do mundo e que jamais colocaria a filha em perigo.
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Segundo o familiar, Monica tinha realizado cerca de cinco mil mergulhos ao longo da carreira e era conhecida pela sua experiência e rigor em operações subaquáticas.
As autoridades das Maldivas continuam a investigar o caso para apurar as causas exatas da tragédia que chocou a comunidade científica e o setor internacional do mergulho.

