Um jovem trabalhador da construção civil, de 19 anos, morreu após cair de uma altura de seis andares num estaleiro em Londres, num acidente descrito pelas autoridades como totalmente evitável. O incidente ocorreu no verão de 2023, no bairro de Acton, no oeste da capital britânica, e voltou a levantar sérias preocupações sobre as condições de segurança no setor.

Renols Lleshi encontrava-se a trabalhar na remoção de andaimes instalados num jardim no topo de um edifício residencial de 12 andares. Durante a operação, pisou uma superfície que acreditava tratar-se de uma ventilação devidamente protegida. No entanto, a estrutura cedeu inesperadamente, fazendo com que o jovem caísse através de um poço de ventilação, precipitando-se seis andares até ao solo, o que resultou na sua morte imediata.
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A investigação conduzida pelas autoridades competentes revelou falhas graves nos procedimentos de segurança. O poço de ventilação não se encontrava devidamente selado ou protegido, tendo sido coberto apenas com placas de gesso cartonado e espuma de cobertura — materiais claramente inadequados para suportar peso humano. Além disso, foi apurado que a zona do telhado nunca foi alvo de inspeções durante as visitas regulares de saúde e segurança, o que constitui uma violação das normas em vigor.
Empresa multada e responsabilidade reconhecida em tribunal
A empresa responsável pela obra, a Jerram Falkus Construction Limited, uma construtora londrina com cerca de 140 anos de atividade, foi considerada culpada por incumprimento das normas de segurança. O tribunal de magistrados da City de Londres aplicou uma multa de 42.200 libras, à qual se somam 5.000 libras em custos judiciais e uma sobretaxa de 2.000 libras.
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A decisão judicial surge numa altura em que a empresa já tinha cessado atividade, no mês anterior à sentença, o que levanta também questões sobre a responsabilização efetiva de entidades que deixam de operar após incidentes graves.
O pai da vítima manifestou reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelas autoridades na investigação e acusação do caso, mas destacou a dor irreparável da perda. Em declarações emocionadas, afirmou que nenhuma medida judicial ou compensação poderá trazer o filho de volta ou atenuar o sofrimento da família.
Quedas em altura continuam a ser principal causa de mortes no setor
A inspetora Natalie Prince, da autoridade de saúde e segurança no trabalho, sublinhou que as quedas em altura continuam a ser uma das principais causas de acidentes fatais na construção civil. Segundo a responsável, este caso evidencia falhas evitáveis e reforça a necessidade de cumprimento rigoroso das normas de segurança.
Dados recentes mostram que, entre 2023 e 2024, morreram 51 trabalhadores da construção civil, sendo que mais de metade dessas mortes resultaram de quedas em altura. Estes números confirmam uma tendência preocupante e persistente no setor.
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De acordo com os relatórios oficiais, registam-se, em média, cerca de 21 mortes por ano na construção civil devido a quedas em altura. Especialistas alertam que muitos destes acidentes poderiam ser evitados com medidas básicas, como a correta sinalização de riscos, a utilização de materiais adequados para cobertura de aberturas e a realização de inspeções regulares e abrangentes.
O caso de Renols Lleshi surge, assim, como mais um exemplo trágico das consequências da negligência em matéria de segurança laboral, reforçando a urgência de uma maior fiscalização e de uma cultura de prevenção mais sólida em todo o setor da construção.

