Um grupo de 158 tartarugas gigantes foi reintroduzido na ilha Floreana, nas Galápagos, após a espécie ter desaparecido da região no século XIX.

A operação marca um passo significativo nos esforços de conservação da Direção do Parque Nacional das Galápagos e destaca a importância da ciência genética na preservação de espécies ameaçadas.
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Reintrodução histórica baseada em investigação genética
As tartarugas libertadas esta semana foram criadas no centro de reprodução em cativeiro Fausto Llerena, na ilha Santa Cruz, a partir de animais com fortes ligações genéticas a uma linhagem descoberta recentemente no Vulcão Wolf. Segundo o Ministério do Ambiente do Equador, a pesquisa genética permitiu identificar os indivíduos mais adequados para o programa, garantindo diversidade genética e aumentando as hipóteses de sucesso da reintrodução.
O ministério destacou que este regresso marca o início de um processo faseado, que poderá permitir a reintrodução de até 12 espécies consideradas localmente extintas em Floreana, reforçando o papel do arquipélago como um laboratório natural de conservação e biodiversidade.
Descoberta científica confirma sobrevivência da espécie
O ponto de partida para a iniciativa surgiu com a descoberta, há três anos, de uma tartaruga fêmea relacionada com o único exemplar previamente conhecido, datado de 1906. Esta tartaruga, batizada de Fernanda, tornou-se peça-chave para a reprodução em cativeiro e para a restauração da população na ilha. Um vídeo publicado pela Metro mostra a fêmea e o início do processo de reintrodução das tartarugas em Floreana, permitindo ao público acompanhar este marco na conservação da espécie.
Estudos genéticos detalhados foram realizados, sequenciando os genomas do exemplar histórico e da fêmea recente, e comparando-os com todas as espécies vivas de tartarugas gigantes das Galápagos. Os resultados, publicados na revista científica Communications Biology, confirmaram que ambos os exemplares pertencem à mesma espécie, Chelonoidis phantasticus, e são geneticamente distintos das restantes tartarugas do arquipélago.
A investigadora principal, Dra. Evelyn Jensen, especialista em ecologia molecular na Newcastle University, afirmou:
“Apenas duas tartarugas foram alguma vez encontradas na ilha Fernandina, e mostramos que ambas pertencem à mesma espécie, diferente de todas as outras das Galápagos. Esta descoberta é emocionante: a espécie não está extinta e continua a sobreviver.”
Impacto ambiental e importância da conservação
A reintrodução das tartarugas gigantes representa um marco na conservação das Galápagos, um arquipélago reconhecido mundialmente pela sua biodiversidade única. As tartarugas desempenham um papel crucial nos ecossistemas locais, contribuindo para a dispersão de sementes e manutenção da vegetação nativa.
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A ilha Fernandina, local de origem da espécie redescoberta, é um vulcão ativo e um dos habitats mais intactos do arquipélago. Foi visitada por Charles Darwin em 1835, durante a sua viagem que inspirou a teoria da evolução, tornando este território um símbolo histórico e científico de importância global.
O sucesso da reintrodução reforça a necessidade de investimento contínuo em programas de conservação e ciência genética aplicada, servindo como exemplo para projetos semelhantes em outros locais do mundo com espécies ameaçadas ou consideradas extintas.

