Suspeito de homicídio encontrado morto na prisão

Jair Pereira, de 55 anos, acusado pelo Ministério Público português de ter assassinado Conceição Figueiredo, de 69 anos, em Oliveira do Bairro, foi encontrado morto, esta quinta-feira de manhã, na cela do Estabelecimento Prisional situado junto à Polícia Judiciária do Porto. O homem encontrava-se em prisão preventiva a aguardar julgamento e tudo aponta para um ato suicida.

Jair Pereira, suspeito do homicídio de São Figueiredo
Suspeito de homicídio encontrado morto na prisão © Direitos Reservados

De acordo com informações apuradas, o recluso foi encontrado inanimado numa cela individual pelos elementos da vigilância. Foram de imediato chamados o enfermeiro de serviço e o INEM, que confirmou o óbito. Como é procedimento habitual, a Polícia Judiciária foi acionada e o corpo foi encaminhado para o Instituto Nacional de Medicina Legal, onde será realizada a autópsia para confirmar as circunstâncias da morte.

Sabe-se ainda que Jair Pereira tinha estado, ao longo desta semana, em várias consultas médicas preparatórias para uma intervenção cirúrgica agendada para esta quinta-feira no Hospital de Aveiro. Na manhã do mesmo dia, cerca das 8h00, terá conversado normalmente com os guardas prisionais, mas quando estes regressaram à cela para o transportar ao hospital encontraram-no já sem vida.

Crimes ocorreram em maio e chocaram a região

Jair Pereira tinha sido acusado no início de dezembro pelos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, violência doméstica e incêndio. Os factos remontam a maio, quando a vítima e o arguido, que tinham mantido uma relação amorosa no passado, foram vistos juntos pela última vez em Oliveira do Bairro, após saírem de uma danceteria e passarem por uma padaria.

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Segundo a acusação do Ministério Público, Jair levou Conceição Figueiredo para um local isolado, onde, por motivos passionais, a terá esfaqueado pelo menos 11 vezes no tórax e nas costas, provocando a sua morte. Para ocultar o crime, abandonou o corpo numa zona de difícil acesso, com o objetivo de fazer crer aos familiares que a vítima ainda se encontrava viva.

Dias depois, regressou à sua residência e ateou fogo à lenha existente na garagem, numa tentativa de destruir provas. A Procuradoria-Geral Distrital do Porto sublinhou que o arguido tinha consciência de que o incêndio poderia propagar-se, colocando em risco pessoas, habitações e bens nas imediações.

Detenção após quase três semanas em fuga

O desaparecimento de Conceição Figueiredo foi denunciado pela família, que suspeitava do ex-companheiro, inconformado com o fim da relação. Durante os dias seguintes, Jair Pereira terá confessado o crime a amigos, chegando mesmo a indicar a uma delas as coordenadas onde se encontrava o corpo.

A Polícia Judiciária acabaria por localizar o cadáver duas semanas depois, numa zona de mato perto de Avelãs de Cima, no concelho de Anadia. Segundo as autoridades, o arguido conhecia bem o local por ali ter trabalhado anteriormente na extração de areias.

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Após cerca de 20 dias em fuga, Jair Pereira foi detido a 7 de junho, perto da sua residência, depois de ser surpreendido numa casa onde se escondia. Tentou fugir, mas acabou intercetado pela GNR, não oferecendo resistência. Desde então, encontrava-se em prisão preventiva, até ser agora encontrado morto na cela.

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