Pelo menos seis cidadãos britânicos morreram após contraírem shigella, uma infeção bacteriana altamente contagiosa, durante férias em Cabo Verde. O surto afetou milhares de turistas nos últimos meses e levou a alertas oficiais sobre os riscos de viajar para o arquipélago africano.

Casos fatais ligados a estâncias turísticas da ilha do Sal
Entre as vítimas encontram-se famílias que passaram férias em regime tudo incluído em hotéis da ilha do Sal, vários deles pertencentes à cadeia espanhola RIU. Nos últimos três meses, quatro turistas britânicos morreram após adoecerem durante a estadia ou pouco depois de regressarem ao Reino Unido.
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Um dos casos é o de Mark Ashley, de 55 anos, que viajou em outubro com a esposa para um resort de cinco estrelas. Três dias após a chegada, começou a apresentar sintomas graves, como dores abdominais intensas, diarreia, vómitos e febre. Algumas semanas depois do regresso, colapsou e acabou por morrer à chegada ao hospital. A investigação à sua morte continua em curso e o caso foi comunicado ao médico-legista.
Outro caso é o de Karen Pooley, de 54 anos, que adoeceu durante uma estadia no mesmo destino. A situação agravou-se após um acidente no hotel, tendo sido transferida para cuidados intensivos em Tenerife, onde acabou por falecer. A causa de morte foi atribuída a falência multiorgânica, sépsis e paragem cardíaca.

Outras duas vítimas britânicas, com idades entre os 54 e os 64 anos, morreram no mesmo período. Todas tinham problemas de saúde pré-existentes, considerados controláveis.
Ação judicial e alerta das autoridades de saúde
Mais de 1.500 turistas do Reino Unido recorreram a advogados especializados para avançar com ações legais, alegando terem adoecido após viagens reservadas através do operador turístico TUI. Entre os queixosos estão familiares das seis vítimas mortais.
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido registou 137 casos de shigella entre outubro e dezembro, sendo que cerca de 80% dos doentes tinham regressado recentemente de Cabo Verde. Perante estes números, o Foreign Office emitiu um aviso aos viajantes sobre os riscos associados ao destino turístico.
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Este não é um episódio isolado, uma vez que um surto semelhante já tinha sido identificado em 2022.
Respostas dos operadores turísticos e das unidades hoteleiras
A cadeia RIU Hotels & Resorts afirmou que está a colaborar com as autoridades locais e de saúde, tendo sido identificadas medidas urgentes, como a eliminação de águas paradas e o reforço do controlo de pragas, para melhorar as condições sanitárias.
Por sua vez, a TUI garantiu que a segurança dos clientes é uma prioridade, referindo que segue as recomendações oficiais para cada destino e realiza investigações em conjunto com parceiros hoteleiros e autoridades competentes, embora não comente casos individuais.
O caso continua a gerar preocupação entre turistas e autoridades, colocando em causa a segurança sanitária num dos destinos de férias mais procurados pelos europeus.

