Ainda no rescaldo das comemorações do 4 de Fevereiro, data que assinala o início da Luta Armada de Libertação Nacional em Angola, o Jornal de Angola ouviu o historiador Dinis Kebanguilako para uma reflexão aprofundada sobre a importância da memória histórica e os desafios da sua preservação junto das novas gerações.

Professor doutor e coordenador dos mestrados em Ensino de História de África e de Angola no Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED-L), o académico considera que o progressivo distanciamento da juventude em relação às datas históricas nacionais é um sinal preocupante, com implicações diretas na construção da identidade e na projeção do futuro coletivo.
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Juventude e perda de ligação às efemérides nacionais
Para Dinis Kebanguilako, a memória histórica constitui um dos pilares fundamentais da consciência nacional. O historiador sublinha que o desconhecimento do passado compromete a capacidade de interpretação do presente e fragiliza o sentido de pertença.
“Sem memória histórica, a juventude perde a noção do seu próprio futuro”, afirma, defendendo que a história deve ser ensinada de forma crítica, contextualizada e conectada com os desafios contemporâneos. Na sua perspetiva, a abordagem meramente factual ou centrada na repetição de datas não é suficiente para despertar o interesse dos jovens.
O académico alerta ainda para o impacto da globalização e das redes sociais, que expõem os estudantes a fluxos constantes de informação, muitas vezes descontextualizada ou superficial. Esse cenário, explica, pode contribuir para uma visão fragmentada do passado, dificultando a compreensão das lutas e transformações que moldaram a nação angolana.
Ensino da História e responsabilidade institucional
No entender do historiador, a escola desempenha um papel determinante na valorização da memória histórica. Os professores, refere, devem assumir-se como mediadores entre o passado e o presente, estimulando o pensamento crítico e promovendo debates que ajudem os alunos a estabelecer ligações entre os acontecimentos históricos e a realidade atual.
Dinis Kebanguilako defende igualmente que os historiadores têm a responsabilidade de produzir investigação rigorosa e acessível, contribuindo para uma narrativa histórica inclusiva e plural. Para além da academia, o Estado deve investir em políticas públicas que reforcem o ensino da história, a preservação de arquivos e a dinamização de espaços de memória.
Entre as medidas sugeridas, destacam-se o reforço de conteúdos curriculares sobre a história nacional, a promoção de conferências e debates públicos, bem como o apoio a projetos culturais que valorizem a herança histórica do país.
Memória histórica como base da identidade nacional
O professor sublinha que a celebração do 4 de Fevereiro deve ultrapassar o caráter simbólico, transformando-se num momento de reflexão coletiva sobre os sacrifícios, conquistas e desafios enfrentados ao longo da história de Angola.
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Para o académico, a preservação da memória histórica é essencial para consolidar a identidade nacional e fortalecer a cidadania. Só através do conhecimento crítico do passado, defende, será possível construir um futuro mais consciente e sustentável.
Num contexto de rápidas transformações sociais e tecnológicas, o historiador reitera que investir na educação histórica é investir na coesão social e na capacidade das novas gerações de compreenderem o seu papel na construção do país.

