Seis satélites portugueses foram lançados com sucesso para o espaço a partir da base de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos, num momento acompanhado em direto e com grande entusiasmo no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

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O lançamento ocorreu às 12:02 (hora de Lisboa), após um pequeno atraso face à hora inicialmente prevista, tendo sido assinalado com aplausos no Auditório José Mariano Gago, onde dezenas de pessoas assistiram à transmissão em direto. A missão foi realizada a bordo de um foguetão Falcon 9 da SpaceX, no âmbito da Agenda New Space Portugal.
A operação decorreu sem incidentes e foi considerada bem-sucedida, com o primeiro segmento do foguetão a regressar à Terra cerca de oito minutos após a descolagem, pousando numa plataforma marítima. O segundo segmento prosseguiu a missão transportando os satélites a uma velocidade superior a 28 mil quilómetros por hora.
Constelações Lusíada e Atlântico reforçam capacidades tecnológicas
Dos seis satélites lançados, quatro integram a constelação Lusíada — Camões, Agustina, Pessoa e Saramago — nomes escolhidos em homenagem a figuras da literatura portuguesa. Esta constelação tem como objetivo principal o desenvolvimento de um serviço de navegação marítima, frequentemente descrito como um “Waze dos oceanos”.
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Segundo responsáveis do projeto, o sistema permitirá que navios em alto-mar disponham de comunicações acessíveis e informação em tempo real, incluindo alertas sobre condições meteorológicas, presença de obstáculos, situações de emergência, derrames de petróleo ou outros riscos. Os primeiros dados deverão começar a ser disponibilizados dentro de três meses, embora o sistema só esteja totalmente operacional em 2027, quando a constelação atingir os 12 satélites previstos.
Paralelamente, foram também lançados dois satélites integrados na Constelação do Atlântico: um satélite SAR (radar de abertura sintética), desenvolvido no âmbito da Força Aérea, e um satélite ótico VHRLight NexGen, associado ao CEiiA e à N3O. Estes juntam-se aos já existentes em órbita, reforçando uma capacidade de observação com aplicações civis e militares.
Os dados recolhidos por estes satélites poderão ser utilizados em áreas como defesa e segurança, resposta a catástrofes, agricultura de precisão, monitorização ambiental e mapeamento de carbono, evidenciando uma abordagem de duplo uso que serve tanto Portugal como a Europa.
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O lançamento representa ainda um marco para a Força Aérea Portuguesa, que integra pela primeira vez um satélite no espaço. Segundo responsáveis militares, este passo contribui para o reforço da cooperação entre a academia e a indústria nacional, prevendo-se ainda a instalação de infraestruturas dedicadas ao fabrico de satélites em território nacional.

