O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, afirmou que o Reino Unido deve regressar à União Europeia, defendendo uma inversão clara do Brexit e um reforço das relações com o bloco europeu. Segundo o autarca, a saída da União teve consequências “enormes” para a economia britânica, particularmente na capital.

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De acordo com os dados apresentados, a economia londrina é atualmente cerca de 30 mil milhões de libras inferior ao que seria caso o país tivesse permanecido na União Europeia. Além disso, registou-se uma redução de aproximadamente 230 mil postos de trabalho e uma perda média de 3.500 libras por família.
Khan criticou duramente os argumentos utilizados pelos defensores do Brexit, referindo que os efeitos negativos são visíveis “diariamente”, não apenas a nível económico, mas também social e cultural. O autarca destacou ainda a diminuição significativa do número de cidadãos europeus a residir em Londres, que passou de mais de 840 mil em 2019 para cerca de 700 mil atualmente, afetando setores como a construção e a hotelaria.
Proposta de reaproximação à UE e abertura de França
O responsável londrino apresentou um plano em cinco etapas para o regresso à União Europeia. Entre as medidas sugeridas estão o reforço das relações com Bruxelas, já iniciado pelo governo liderado por Keir Starmer, seguido de um maior alinhamento regulatório, a reentrada na União Aduaneira e, posteriormente, no Mercado Único ainda durante a atual legislatura. Numa fase final, o Partido Trabalhista deveria assumir no seu programa eleitoral o compromisso de reintegrar plenamente a União Europeia.
Entretanto, a possibilidade de reaproximação ganhou novo impulso com declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, que afirmou que o Reino Unido seria recebido “de braços abertos” caso decidisse regressar ao Mercado Único. A posição foi expressa durante um evento em Berlim, ao lado do homólogo alemão, Johann Wadephul.
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Esta abertura surge num momento em que o governo britânico intensifica críticas aos impactos económicos do Brexit, apontando perturbações no comércio, incluindo entre a Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha, e perdas significativas para a economia nacional, conforme indicam várias análises económicas.
Governo britânico reforça laços, mas mantém cautela
Apesar da crescente pressão interna, o executivo liderado por Keir Starmer continua a excluir, oficialmente, o regresso ao Mercado Único ou à União Aduaneira. Ainda assim, tem procurado estreitar relações com a União Europeia, numa estratégia apoiada por diversas empresas afetadas por novas barreiras comerciais e burocráticas.
A ministra das Finanças, Rachel Reeves, reconheceu que o Brexit causou “danos profundos” à economia britânica, podendo torná-la até 8% mais pequena do que seria se o país tivesse permanecido no bloco europeu. A governante defendeu uma maior convergência regulatória com a União Europeia sempre que isso beneficie o interesse nacional.
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O tema deverá ganhar destaque no debate político britânico, numa altura em que as sondagens indicam um aumento do número de cidadãos que consideram o Brexit um erro, colocando pressão adicional sobre os partidos e abrindo espaço para uma eventual redefinição da relação do Reino Unido com a Europa.

