O Reino Unido perdeu o estatuto de eliminação do sarampo atribuído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), depois de a cobertura vacinal ter estagnado e de se registar um aumento significativo de casos da doença. As autoridades de saúde alertam para os riscos associados à diminuição da vacinação infantil e defendem medidas urgentes para travar a propagação do vírus.

Queda da vacinação e aumento de casos preocupam autoridades
Entre 2021 e 2023, o Reino Unido era considerado um país que tinha eliminado o sarampo. No entanto, em 2024, a transmissão da doença foi novamente estabelecida, com o número de infeções a disparar para 3.681 casos nesse ano. Paralelamente, as taxas de vacinação atingiram mínimos históricos.
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Dados da UK Health Security Agency (UKHSA) indicam que, em 2024-25, apenas 83,7% das crianças de cinco anos em Inglaterra tinham recebido as duas doses da vacina MMR (sarampo, papeira e rubéola), o valor mais baixo dos últimos 15 anos. A percentagem de crianças com pelo menos uma dose manteve-se nos 91,9%, igualmente o nível mais baixo desde 2010-11.
A OMS recomenda que pelo menos 95% das crianças estejam totalmente vacinadas para garantir a imunidade de grupo, um patamar que o Reino Unido está atualmente longe de alcançar.
Especialistas alertam para riscos na saúde pública
Especialistas em saúde pública consideram previsível a perda do estatuto. Segundo Ben Kasstan-Dabush, professor assistente de saúde global na London School of Hygiene and Tropical Medicine, os surtos registados desde 2024 e a morte evitável de uma criança em 2025 evidenciam as consequências diretas da baixa cobertura vacinal.
Também Vanessa Saliba, epidemiologista da UKHSA, sublinha que as infeções podem regressar rapidamente quando a adesão às vacinas diminui, defendendo que a eliminação do sarampo só é possível se todas as crianças elegíveis receberem duas doses antes de entrarem na escola. O alerta estende-se ainda a adolescentes e adultos que não foram vacinados atempadamente.
Nova estratégia de vacinação infantil no Reino Unido
Desde o início de janeiro, o Reino Unido passou a oferecer a vacina combinada MMRV, que protege contra sarampo, papeira, rubéola e varicela, substituindo a anterior MMR no esquema de vacinação infantil. A primeira dose é administrada aos 12 meses e a segunda foi antecipada para os 18 meses.
A implementação desta medida nas quatro nações do Reino Unido segue a recomendação do Comité Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI), feita em 2023, com o objetivo de reforçar a proteção das crianças.
Desafio alargado à Europa, segundo a OMS
A OMS sublinha que a situação do Reino Unido reflete um problema mais vasto na Europa, onde surtos de sarampo e de outras doenças evitáveis por vacinação continuam a ameaçar a segurança da saúde pública. Países como Espanha, Áustria, Arménia, Azerbaijão e Uzbequistão também perderam recentemente o estatuto de eliminação.
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Para Bharat Pankhania, professor sénior de saúde pública na Universidade de Exeter, a existência de comunidades com baixa ou inexistente adesão às vacinas é “extremamente preocupante”, defendendo uma resposta urgente para inverter a tendência e proteger a população infantil.

