O governo do Reino Unido defendeu um acordo que prevê a cedência das Ilhas Chagos à Maurícias, mantendo, no entanto, o controlo da base militar de Diego Garcia, após críticas do presidente dos EUA, Donald Trump. Trump qualificou a decisão como um “ato de grande estupidez” e uma demonstração de “fraqueza total”, apesar de ter inicialmente apoiado o acordo no passado.

Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o Reino Unido estava a planear ceder Diego Garcia à Maurícias, sem motivo aparente, o que, segundo ele, colocaria em risco a segurança nacional dos Estados Unidos e permitiria a China e a Rússia observarem uma postura de fragilidade por parte dos aliados da NATO.
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Reacção do governo britânico e apoio dos aliados
Em resposta, o porta-voz oficial do governo britânico sublinhou que a posição do Reino Unido em relação à segurança nacional “não está em causa”. Afirmou ainda que o governo dos EUA continua a apoiar o acordo, lembrando que o próprio presidente norte-americano havia reconhecido o fortalecimento da relação bilateral no ano passado.
O acordo, no valor de £3.4 mil milhões, foi assinado em maio e estabelece que o Reino Unido cede a soberania das Ilhas Chagos à Maurícias, mas mantém o controlo sobre a base militar de Diego Garcia. Este arranjo garante o arrendamento da base por 99 anos, com um custo anual médio de £101 milhões.
Em declarações subsequentes, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Stephen Doughty, reiterou que o governo britânico teria conversações com a administração de Trump para esclarecer a robustez do acordo e os benefícios para a segurança global.
A disputa de soberania e as implicações do acordo
A disputa sobre a soberania das Ilhas Chagos remonta a 1965, quando o Reino Unido separou o arquipélago de Maurícias, então uma colônia britânica, para estabelecer a base militar em Diego Garcia. Embora o Reino Unido tenha adquirido as ilhas por £3 milhões, Maurícias alega que a cedência foi forçada e ilegal, tendo sido parte de um acordo para garantir a independência do país.
O acordo de maio passado foi, portanto, um passo importante na resolução dessa disputa, com a Maurícias a garantir finalmente a soberania sobre as ilhas, enquanto o Reino Unido assegura a manutenção da base militar essencial para as operações conjuntas com os EUA. A decisão foi apoiada pelos aliados do Reino Unido, incluindo os membros da Aliança dos “Cinco Olhos” (EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia).
Em contraste, a oposição interna no Reino Unido tem criticado o acordo. A líder conservadora Kemi Badenoch acusou o governo de estar a “autossabotar-se” ao pagar pela cedência das Ilhas Chagos. Por outro lado, o líder dos Liberais Democratas, Sir Ed Davey, considera que as críticas de Trump mostram que a abordagem do governo britânico falhou em conseguir a confiança do presidente norte-americano.
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Apesar das tensões políticas, o governo britânico mantém a firme convicção de que o acordo é essencial para a segurança a longo prazo e para a estabilidade das operações militares na região.
Este tema continua a gerar discussões acaloradas, com grupos de Chagossianos, como Bernadette Dugasse e Bertrice Pompe, a exigirem o direito de regressar às suas ilhas de origem, sublinhando que não foram consultados adequadamente sobre o acordo.

