Israel reabriu a passagem de Rafah, a principal fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, permitindo novamente o movimento de pessoas. A travessia estava praticamente encerrada desde maio de 2024, quando as forças israelitas tomaram o controlo do lado gazense.

A reabertura estava prevista na primeira fase do plano de cessar-fogo entre Israel e Hamas, proposto pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro do ano passado. Contudo, Israel condicionou a abertura à devolução do corpo do último refém israelita, que ocorreu na semana passada.
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A medida é vista como um alívio por muitos palestinianos, que consideram a passagem uma ligação vital para o exterior, apesar de apenas um número limitado de pessoas poder atravessar e sem passagem de bens.
Condições e operação do ponto de fronteira
Segundo relatórios israelitas, diariamente apenas 50 pacientes – acompanhados por um ou dois familiares – poderão sair de Gaza. Paralelamente, 50 pessoas que deixaram o território durante o conflito terão autorização para regressar.
A gestão da passagem ficará a cargo de supervisores da União Europeia e de funcionários palestinianos locais, enquanto Israel realizará verificações de segurança à distância. O início das operações foi marcado pela chegada das equipas da Missão de Assistência de Fronteira da União Europeia (EUBAM).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) ficará responsável pelo transporte dos pacientes do território controlado pelo Hamas, levando-os de autocarro até à travessia, através da chamada “Linha Amarela”, para as áreas sob controlo militar israelita.
Entre os casos prioritários está o de Rawa, uma jovem de 16 anos com doença renal, que necessita de uma transplante de rim da mãe. A família aguarda autorização para viajar rapidamente, devido à deterioração da saúde da paciente.
Contexto humanitário e histórico da travessia
Antes de ser ocupada por Israel, a passagem de Rafah era o principal ponto de saída para palestinianos e entrada de ajuda humanitária durante o conflito. Atualmente, a ajuda que chega do Egito segue pelo ponto de Kerem Shalom, controlado por Israel.
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Mais de 30.000 gazenses registaram-se na embaixada palestiniana no Cairo para poder regressar ao território. A abertura da passagem estava dependente de negociações com Hamas, após o resgate do corpo do último refém israelita, o sargento Ran Gvili, entre os 251 sequestrados em outubro de 2023, durante um ataque que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel.
A campanha militar israelita lançada em resposta ao ataque resultou na morte de mais de 71.790 palestinianos, segundo dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, administrado pelo Hamas.

