A economia britânica registou um crescimento de apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025, permanecendo praticamente estagnada no final do ano, num cenário que aumenta a pressão sobre a chanceler Rachel Reeves. Os dados divulgados pelo Office for National Statistics (ONS) indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) avançou ao mesmo ritmo verificado nos três meses anteriores, evidenciando dificuldades persistentes na retoma económica e colocando novos desafios à estratégia económica do Governo.

Em dezembro, o crescimento mensal foi igualmente de 0,1%, após uma subida de 0,2% em novembro, valor que foi revisto em baixa face à estimativa inicial de 0,3%. No conjunto do trimestre, o setor dos serviços, que representa a maior fatia da economia do Reino Unido, não registou crescimento. Já o setor da construção contraiu 2,1%, com a construção de habitação a abrandar significativamente em várias zonas de Londres.
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Em sentido contrário, o setor da produção avançou 1,2%, impulsionado sobretudo pela retoma da produção automóvel na Jaguar Land Rover, após a resolução dos impactos de um ataque informático que tinha afetado a atividade.
No total do ano de 2025, o primeiro ano completo do Governo trabalhista liderado por Sir Keir Starmer, a economia cresceu 1,3%, ligeiramente acima dos 1,1% registados em 2024. Ainda assim, o PIB per capita recuou 0,1% no quarto trimestre, embora apresente uma subida anual de 1%.

Oposição critica Governo e aponta impacto do Orçamento
Os números foram recebidos com críticas da oposição conservadora. O chanceler-sombra, Sir Mel Stride, afirmou que o crescimento modesto demonstra que as opções do Governo enfraqueceram a economia, acusando Downing Street e o Tesouro de terem desviado a atenção das prioridades económicas.
Diversos analistas atribuíram o fraco desempenho à incerteza gerada durante o prolongado período de especulação que antecedeu o Orçamento de novembro. O ambiente de indefinição terá condicionado decisões de investimento e travado a atividade económica no final do ano.
Derrick Dunne, diretor executivo da YOU Asset Management, considerou os dados um sinal de alerta tanto para o Governo como para o Banco de Inglaterra, defendendo que as atuais políticas fiscal e monetária poderão estar excessivamente restritivas. Sublinhou ainda que o desempenho da construção, tradicional indicador avançado da atividade económica, representa um aviso preocupante.
Também Suren Thiru, diretor de economia do organismo contabilístico ICEAW, referiu que a economia terminou 2025 com fragilidade, penalizada pela quebra de confiança e pela pressão crescente dos custos, fatores que limitaram o comércio e os planos de investimento das empresas.
Governo defende estratégia económica e empresários pedem mais medidas
Em reação aos dados, a chanceler Rachel Reeves destacou que, desde as eleições de julho de 2024, foram realizados seis cortes nas taxas de juro, que a inflação caiu mais rapidamente do que o previsto e que o Reino Unido apresenta o crescimento mais rápido do G7 na Europa. A governante reiterou que o Executivo mantém um plano económico orientado para reduzir o custo de vida, controlar a dívida pública e criar condições para o investimento.
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Alguns economistas, como Lord O’Neill, antigo economista-chefe da Goldman Sachs, apontaram para indicadores mais positivos em janeiro, incluindo melhorias na produtividade, sugerindo que a economia poderá ganhar novo fôlego em 2026.
Ainda assim, o sentimento na City mantém-se prudente. Em Londres, onde a taxa de desemprego atingiu 7,2%, líderes empresariais apelaram ao Governo para reforçar os esforços de estímulo ao crescimento. Muniya Barua, vice-diretora executiva da BusinessLDN, afirmou que, apesar de a economia ter conseguido manter-se ligeiramente em terreno positivo, são necessárias medidas adicionais para acelerar o ritmo de expansão.
Representantes empresariais da capital alertaram igualmente a chanceler para os riscos de decisões orçamentais que possam penalizar Londres, depois de terem sido anunciados investimentos adicionais noutras regiões do país.
Com a promessa de colocar o crescimento económico como prioridade central do mandato trabalhista, os mais recentes dados aumentam a pressão política sobre o Governo num contexto de expectativas ainda elevadas quanto à recuperação sustentável da economia britânica.

