Queda nas vendas de motas em Portugal

O mercado de motociclos em Portugal registou uma ligeira descida em 2025, influenciada sobretudo pela diminuição das vendas de modelos de baixa cilindrada, até 125 centímetros cúbicos (cc), segundo dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP). O recuo evidencia alterações nos padrões de consumo e reflete desafios económicos e estruturais enfrentados pelo setor.

O mercado de motociclos
Queda nas vendas de motas em Portugal © Miguel Pereira

Vendas globais recuam ligeiramente

Entre janeiro e dezembro de 2025, foram matriculados 43 995 motociclos em território nacional, representando uma redução de 1,5% face às 44 665 unidades vendidas em 2024. Apesar de relativamente moderada, esta queda interrompe uma tendência de crescimento verificada em anos anteriores e indica uma maior cautela por parte dos consumidores.

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O desempenho do mercado não foi homogéneo entre os diversos segmentos de motociclos. Enquanto os modelos de maior cilindrada e as motas elétricas registaram ligeiros aumentos ou estabilidade, o segmento urbano de baixa cilindrada sofreu uma retração significativa, influenciando o resultado global.

Segmento de 125 cc lidera a quebra

O principal fator da retração foi a descida nas vendas de motociclos de combustão interna até 125 cc, que registaram uma diminuição de 7,3%, passando de 21 813 unidades em 2024 para 20 219 em 2025. Este tipo de veículos é tradicionalmente associado ao uso urbano e à facilidade de condução por titulares de carta de automóvel, o que o torna popular entre jovens, estudantes e utilizadores que procuram mobilidade económica e prática.

A quebra neste segmento poderá estar relacionada com vários fatores: o aumento dos preços de aquisição e manutenção, alterações nas políticas de incentivos fiscais, a crescente consciencialização ambiental e a migração gradual para motas elétricas ou alternativas de micromobilidade.

Tendência de eletrificação e desafios do setor

O mercado de motas elétricas continua a mostrar crescimento, embora ainda represente uma pequena fatia do total de vendas. A aposta em modelos urbanos mais eficientes e ecológicos poderá compensar parcialmente a queda observada nos veículos de baixa cilindrada a combustão.

Especialistas alertam que a sustentabilidade do mercado português de motociclos dependerá da capacidade de adaptação dos fabricantes às novas exigências dos consumidores e das políticas públicas que incentivem a mobilidade urbana sustentável. A infraestrutura de carregamento elétrico e a regulamentação de circulação em zonas urbanas serão determinantes para o futuro próximo do setor.

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O cenário económico geral, incluindo inflação e aumento do custo de vida, também influencia as decisões de compra dos consumidores, que tendem a priorizar veículos mais económicos, versáteis e de manutenção acessível. Por isso, a evolução do mercado em 2026 será acompanhada de perto pelo setor e pelos analistas, numa altura em que a mobilidade urbana enfrenta profundas mudanças.

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