O presidente da Rússia, Vladimir Putin, terá concordado em interromper os ataques militares à Ucrânia por um período de sete dias, numa trégua temporária anunciada por Donald Trump. A declaração foi feita pelo Presidente dos Estados Unidos durante uma reunião do seu gabinete na Casa Branca, num momento em que a Ucrânia enfrenta condições climatéricas extremas e uma das piores crises energéticas desde o início da guerra.

De acordo com Trump, o compromisso russo inclui a suspensão de ataques contra Kyiv e outras cidades ucranianas, com o objetivo de aliviar a pressão sobre a população civil durante o inverno rigoroso. No entanto, não foi especificada a data de início do cessar-fogo, nem existe, até ao momento, confirmação oficial por parte do Kremlin.
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Trump diz ter feito pedido direto a Putin por razões humanitárias
Donald Trump afirmou que a decisão de contactar diretamente Vladimir Putin foi motivada por preocupações humanitárias, apesar de ter sido aconselhado a não o fazer. O Presidente norte-americano sublinhou que os ucranianos não deveriam continuar a sofrer ataques aéreos num período de frio extremo.
“Eles nunca enfrentaram temperaturas assim. Pedi pessoalmente ao Presidente Putin que não disparasse contra Kyiv e outras cidades durante uma semana, e ele concordou”, afirmou Trump, descrevendo a resposta do líder russo como “muito simpática”.
Trump acrescentou que a sua intervenção visou evitar novos lançamentos de mísseis e drones contra zonas residenciais e infraestruturas essenciais. Uma fonte próxima da conversa, citada pelo jornal Kyiv Independent, comentou que a influência pessoal de Trump terá sido determinante: “É o Trump. Tente dizer-lhe que não”.
Inverno rigoroso agrava crise energética e humanitária
A possível trégua surge num contexto particularmente delicado para a Ucrânia. Segundo o serviço meteorológico nacional, as temperaturas em Kyiv poderão descer até aos -30 °C nos próximos dias, enquanto quase toda a metade norte do país se encontra sob alertas meteorológicos devido a gelo intenso e queda de neve perigosa.
Desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022, Moscovo tem conduzido uma estratégia sistemática de ataques a centrais elétricas, subestações e redes de aquecimento, procurando fragilizar a resistência ucraniana através da exaustão da população civil. Este inverno tem sido descrito pelas autoridades como um dos mais severos em termos de falhas no fornecimento de energia.
Apesar do anúncio de Trump, a capital ucraniana foi recentemente alvo de ataques com drones e mísseis, que atingiram infraestruturas elétricas e de aquecimento, provocando pelo menos duas mortes. As vítimas eram os pais de uma criança de quatro anos, mortos após o bombardeamento da sua habitação, segundo avançou o meio ucraniano Hromadske.
Ataques recentes contradizem promessa de pausa militar
De acordo com relatos da comunicação social local, a criança sobreviveu e foi retirada do edifício em chamas por um repórter que se encontrava no local, imagens que foram transmitidas pelo canal televisivo ucraniano 1+1. O episódio reforçou as dúvidas quanto à aplicação efetiva de qualquer cessar-fogo anunciado.
Fontes diplomáticas indicam que a interrupção de ataques com drones e mísseis terá sido discutida durante conversações recentes entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos, realizadas na semana passada. Ainda assim, não houve qualquer anúncio conjunto ou compromisso formal tornado público.
Zelensky alerta para continuidade dos ataques russos
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mostrou-se cético quanto à eficácia de iniciativas diplomáticas isoladas e alertou que a Rússia continua preparada para intensificar os ataques contra infraestruturas críticas.

Num discurso recente, Zelensky revelou que cerca de 200 habitações ficaram sem aquecimento em Kryvyi Rih após um ataque russo, enquanto cortes generalizados de eletricidade afetaram várias regiões, incluindo Poltava, Kirovohrad, Mykolaiv, Vinnytsia e Chernivtsi.
“Os russos continuam a tentar infligir o máximo de dor possível aos ucranianos, independentemente de qualquer diplomacia”, afirmou o chefe de Estado ucraniano.
Conflito prolongado já provocou perdas humanas massivas
Um estudo recente do Center for Strategic and International Studies estima que quase 1,2 milhões de militares russos e cerca de 600 mil ucranianos tenham sido mortos, feridos ou estejam desaparecidos desde o início da guerra. Segundo a mesma análise, o número total de vítimas poderá atingir os dois milhões nas próximas semanas, caso o atual ritmo do conflito se mantenha.
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Enquanto Moscovo permanece em silêncio quanto à alegada suspensão temporária dos ataques, a comunidade internacional acompanha com prudência a situação, questionando se esta promessa representa um gesto humanitário concreto ou apenas uma pausa simbólica num conflito que continua a devastar a Ucrânia.

