Um protesto junto à embaixada do Irão em Kensington, Londres, terminou com um ativista a subir ao balcão da missão diplomática e a remover a bandeira oficial do país, composta pelas cores vermelha, verde e branca. O manifestante substituiu-a pela bandeira utilizada antes da Revolução Islâmica, que apresenta o leão e o sol, símbolo atualmente associado às manifestações contra o regime e à oposição histórica ao governo teocrático.

Imagens do momento, amplamente partilhadas nas redes sociais, mostram o homem a rasgar a bandeira do regime diante de uma multidão de manifestantes concentrados fora da embaixada. A Metropolitan Police confirmou que foram destacados oficiais adicionais para “prevenir desordem”. Até ao momento, duas pessoas foram detidas por intrusão agravada e agressão a um agente de emergência, enquanto um indivíduo é procurado por um crime de invasão.
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O protesto em Londres ocorre numa altura de crescente contestação interna no Irão, motivada por um conjunto de fatores sociais, económicos e políticos que têm levado milhares de cidadãos a desafiar o regime.
Contexto de protestos e repressão no Irão
As manifestações no Irão tiveram início em 28 de dezembro em Teerão, com uma greve de comerciantes e lojistas, e rapidamente se expandiram para outras cidades. O descontentamento popular é alimentado pelo aumento do custo de vida, a desvalorização da moeda nacional e a repressão política constante. Segundo observadores de direitos humanos, pelo menos 62 pessoas morreram e cerca de 2.300 foram detidas desde o início dos protestos.
As autoridades iranianas intensificaram as medidas de controlo, restringindo o acesso à internet e às chamadas internacionais para conter a disseminação de informação. Foram registados episódios de violência extrema, com uso de gás lacrimogéneo e rifles, afetando manifestantes e civis, incluindo crianças. Médicos que assistem aos feridos relatam caos nos hospitais e medo generalizado entre os pacientes, alguns dos quais receiam ser identificados pelas autoridades.
O regime também reforçou as ameaças contra os participantes nas manifestações. O procurador-geral iraniano declarou que qualquer pessoa envolvida nos protestos seria considerada “inimiga de Deus”, enquanto o supremo líder, Ali Khamenei, criticou líderes estrangeiros que condenaram os ataques aos manifestantes, acusando-os de agir como “agentes terroristas” ligados a Donald Trump.
Reações internacionais e mobilização do exílio iraniano
O protesto em Londres ocorre num contexto de atenção internacional crescente. O ex-príncipe herdeiro do Irão, Reza Pahlavi, residente no exílio há 50 anos, sugeriu a possibilidade de regressar ao país e apelou aos opositores do regime para ocuparem os centros urbanos, reforçando a pressão contra a liderança teocrática.
Líderes europeus, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron e o líder do Partido Trabalhista britânico, Sir Keir Starmer, enviaram uma carta conjunta pedindo às autoridades iranianas que “abstenham-se de violência” e respeitem os direitos fundamentais dos cidadãos. O Governo do Reino Unido afirmou estar “profundamente preocupado com relatos de violência contra manifestantes pacíficos no Irão” e declarou que acompanha a situação de perto.
O presidente norte-americano, Donald Trump, também comentou a situação, prometendo apoio aos iranianos caso o regime continue a “matar violentamente” cidadãos. O Departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta ao regime iraniano, reforçando que as declarações de Trump devem ser levadas a sério.
Histórico da embaixada e simbologia política
A embaixada do Irão em Londres já foi palco de eventos históricos. Em 1980, um ano após a Revolução Islâmica, seis homens armados iranianos-árabes sitiaram a missão diplomática, mantendo 26 pessoas como reféns durante seis dias, num episódio que terminou com intervenção do SAS britânico. A embaixada localiza-se próxima de Hyde Park, numa zona central de Londres, e o atual protesto recorda a relevância simbólica do local na diplomacia e política internacional.

O ato de substituir a bandeira do regime pela bandeira pré-revolucionária é carregado de significado político. O leão e o sol representam uma símbolo de resistência histórica e a reivindicação de liberdades civis, sendo usado frequentemente em manifestações contra a liderança de Khamenei.
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O protesto londrino reflete não apenas a contestação interna no Irão, mas também a mobilização da diáspora e do exílio político, enviando uma mensagem clara de oposição ao regime e de solidariedade com os manifestantes que continuam a desafiar a repressão.

