Proteção Civil pede 550 milhões para reforço dos bombeiros

O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, alertou para a necessidade de um investimento urgente de cerca de 550 milhões de euros para garantir o reforço das corporações de bombeiros em Portugal, numa altura em que o país se prepara para o período mais crítico de incêndios rurais.

O secretário de Estado da Proteção Civil
Proteção Civil pede 550 milhões para reforço dos bombeiros © Pedro Gomes Almeida

Em entrevista, o governante detalhou ainda o reforço do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para 2026, sublinhando a entrada de novos meios operacionais, incluindo recursos da Força Aérea, e o reforço da coordenação no terreno.

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Dispositivo de combate a incêndios reforçado com mais meios aéreos e operacionais

Segundo Rui Rocha, o dispositivo deste ano foi reforçado com base na experiência de 2025, destacando uma taxa de sucesso na primeira intervenção de cerca de 93% nos primeiros 90 minutos dos incêndios, sobretudo na fase mais crítica.

Ainda assim, o responsável alerta que os 7% de situações mais complexas continuam a representar um desafio significativo, exigindo maior capacidade de resposta e coordenação.

Entre os reforços anunciados está o aumento dos grupos de ataque ampliado, que passam de um para quatro, totalizando mais de 160 operacionais. A Força Especial de Proteção Civil também será reforçada, passando de 216 para cerca de 300 elementos.

No combate aéreo, o dispositivo contará com dois novos helicópteros Black Hawk disponibilizados pela Força Aérea, além de um reforço significativo da capacidade de aplicação de retardante, que passa a estar disponível em cinco pontos do país, incluindo Vila Real, Viseu, Proença e Sernache.

Também o número de máquinas de rasto será aumentado, com o ICNF a disponibilizar mais 18 equipamentos, elevando o total de 26 para 50.

Força Aérea e inteligência artificial integradas na resposta aos incêndios

O Governo prevê ainda a utilização de um total de 81 meios aéreos durante o período mais crítico do verão, entre 1 de julho e 30 de setembro, com integração progressiva dos meios da Força Aérea, incluindo aeronaves C-130.

Rui Rocha destacou a importância da complementaridade entre meios terrestres e aéreos, sublinhando que as condições meteorológicas podem limitar a atuação dos meios no terreno, tornando necessária uma estratégia mais flexível.

O secretário de Estado referiu ainda que estão a ser melhorados os pré-posicionamentos das equipas de combate, com reforço das bases logísticas espalhadas pelo território, de forma a garantir maior rapidez de resposta.

Em paralelo, o Ministério da Administração Interna está a desenvolver soluções de inteligência artificial para antecipar riscos com base em previsões meteorológicas e índices de perigo, permitindo uma mobilização mais rápida e eficaz dos meios.

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Proteção Civil admite prolongar prazo para limpeza de terrenos

Questionado sobre a gestão preventiva do território, Rui Rocha admitiu a possibilidade de prolongar o prazo legal para a limpeza de terrenos, decisão que poderá ser tomada no final de maio, em função das condições meteorológicas.

O governante reconheceu dificuldades na disponibilidade de mão de obra e na capacidade de execução das entidades responsáveis, defendendo uma eventual extensão do período de limpeza como medida preventiva essencial.

Governo reforça Siresp e aposta em nova tecnologia de alerta

No que diz respeito às comunicações de emergência, o Executivo está a investir no reforço do Siresp, com melhorias na redundância do sistema e na sua capacidade de resposta em situações extremas.

Está prevista a instalação de um hub satélite no Tagus Park, em Lisboa, bem como a criação de novas redundâncias e a utilização de ligações por feixes hertzianos para garantir o funcionamento contínuo da rede.

O plano inclui ainda baterias com autonomia até 36 horas, estações móveis e distribuição de equipamentos satélite por juntas de freguesia. Numa fase posterior, deverão ser integrados geradores através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Paralelamente, está em desenvolvimento o sistema Cell Broadcast, que permitirá o envio de alertas sonoros diferenciados para a população em situações de risco extremo, evitando a normalização de avisos meteorológicos ou de proteção civil.

Comando Único de Bombeiros e reorganização da Proteção Civil

Rui Rocha afirmou ainda que pretende ver o Comando Único de Bombeiros implementado até ao final do ano, no âmbito de uma reorganização mais ampla da estrutura da Proteção Civil.

O secretário de Estado defende também o regresso dos comandos sub-regionais como forma de reforçar a capacidade de resposta no terreno, num contexto em que os fenómenos meteorológicos são cada vez mais intensos e imprevisíveis.

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O governante garantiu ainda que as dívidas do INEM às corporações de bombeiros estão regularizadas, sublinhando a necessidade de garantir estabilidade financeira ao setor.

O dispositivo de combate aos incêndios rurais entra agora na fase final de preparação, com o Governo a reforçar meios e a ajustar estratégias perante um verão que, segundo o Ministério da Administração Interna, deverá ser exigente em termos operacionais.

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