Os preços em Moçambique registaram uma subida de 1,26% em janeiro de 2026, mais do que o dobro da variação registada em dezembro (0,49%), segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O aumento coincide com as dificuldades logísticas provocadas pelas cheias que atingiram o país, afetando quase 725 mil pessoas, sobretudo no sul, e provocando pelo menos 27 mortos.

O relatório do INE destaca que o setor da alimentação e bebidas não alcoólicas foi o principal responsável pelo aumento dos preços, contribuindo com 0,93 pontos percentuais para a variação mensal. Entre os produtos que registaram os maiores aumentos estão o tomate (16,3%), coco (53,0%), couve (17,2%), carvão vegetal (9,2%), peixe seco (3,4%), cebola (14,8%) e alface (29,6%). Estes produtos, considerados essenciais na alimentação das famílias, pressionaram significativamente o Índice de Preços no Consumidor, contribuindo com cerca de 0,83 pontos percentuais positivos para a variação total.
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Cheias e interrupção das cadeias de abastecimento impulsionam a inflação
O aumento dos preços esteve diretamente relacionado com a interrupção das cadeias de abastecimento provocada pelas cheias, que levaram ao corte total da circulação nas estradas Nacional 1 e 2, que ligam Maputo ao norte e ao sul do país, entre meados de janeiro e o início de fevereiro. A dificuldade de transporte de produtos essenciais resultou em aumentos significativos nos preços ao consumidor, refletindo o impacto das catástrofes naturais na economia.
O INE destaca que, embora Moçambique tenha registado períodos de deflação no ano anterior – oito recuos mensais no índice de preços ao consumidor em menos de 18 meses, quatro deles entre abril e julho de 2025 – a tendência de subida retornou a partir de agosto. Este cenário evidencia a vulnerabilidade do mercado às perturbações climáticas e logísticas, com impacto direto na capacidade de compra das famílias.
Impacto anual e perspetivas para 2026
Em 2025, a variação anual dos preços em Moçambique situou-se em 3,23%, abaixo do valor de 4,15% registado em 2024 e muito inferior ao pico de quase 13% atingido em julho de 2022. As principais pressões inflacionistas vieram do setor da alimentação e bebidas não alcoólicas, bem como de restaurantes, hotéis, cafés e similares, que contribuíram com 1,87 e 0,70 pontos percentuais, respetivamente, para a inflação anual.
O Governo previa uma inflação em torno de 7% para 2025, valor que mantém como referência para 2026, refletindo as dificuldades estruturais do país e os efeitos de fatores externos, como as cheias. A inflação acumulada e as flutuações mensais evidenciam a necessidade de políticas económicas que protejam a população mais vulnerável e garantam a estabilidade dos preços, sobretudo em momentos de crise climática e logística.
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Com a combinação do aumento dos preços dos alimentos, a interrupção das cadeias de abastecimento e os efeitos das cheias, os consumidores moçambicanos enfrentam uma pressão adicional no orçamento familiar, tornando urgente a implementação de estratégias de mitigação e apoio social, bem como a melhoria das infraestruturas para reduzir o impacto de futuras catástrofes.

