Os preços das casas em Portugal continuam a registar uma subida constante desde abril de 2024, altura em que tomou posse o primeiro Governo liderado por Luís Montenegro. A tendência de crescimento mantém-se há sete trimestres consecutivos, com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) a apontarem para um aumento de cerca de 27% entre o segundo trimestre de 2024 e o final de 2025.

Só no último ano, o valor dos imóveis subiu 17,6%, atingindo um novo máximo histórico desde o início da série estatística, em 2009. Em média, cada uma das cerca de 170 mil casas transacionadas em 2025 foi vendida por aproximadamente 242 mil euros, valor que reflecte a forte pressão sobre o mercado imobiliário.
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Na região da Grande Lisboa, os preços continuam a destacar-se como os mais elevados do país, ultrapassando, em média, os 390 mil euros por imóvel. Já no quarto trimestre de 2025, o valor médio das transações superou, pela primeira vez, os 250 mil euros, num crescimento homólogo de 18,9%.
Procura crescente e oferta limitada intensificam crise habitacional
De acordo com um estudo do Banco de Portugal, o agravamento da crise habitacional resulta, em grande medida, do aumento do número de famílias, que cresce cerca de 35 mil por ano, bem como da entrada de imigrantes. Em contrapartida, a oferta de novas habitações tem evoluído a um ritmo significativamente inferior, com cerca de 22 mil novos alojamentos entre 2021 e 2024.
Este desequilíbrio entre procura e oferta tem contribuído para a escalada dos preços, dificultando o acesso à habitação, sobretudo para os segmentos mais jovens da população.
Medidas do Governo impulsionam procura, mas levantam riscos
As medidas implementadas pelo Governo em agosto de 2024, como a garantia pública para jovens até aos 35 anos e as isenções de IMT e imposto do selo, tiveram impacto direto no aumento da procura. A possibilidade de acesso a financiamento a 100% tem sido utilizada por cerca de metade dos jovens que recorrem ao crédito à habitação, abrangendo aproximadamente 25 mil contratos.
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Entre janeiro e dezembro de 2025, estes apoios representaram 15% do total de novos contratos e 20% do montante concedido pelos bancos. No entanto, o Banco de Portugal alerta para o aumento do risco associado, uma vez que estes jovens tendem a apresentar rendimentos mais baixos, recorrer a financiamentos mais elevados e assumir prazos de pagamento mais longos.
Paralelamente, a avaliação bancária da habitação continua a atingir valores recorde. Em fevereiro de 2026, o valor mediano fixou-se em 2.122 euros por metro quadrado, registando uma subida homóloga de 17,2% e prolongando uma tendência de valorização que já dura há 27 meses consecutivos.
Novas medidas fiscais procuram aumentar oferta habitacional
Perante o agravamento da crise, o Governo aprovou um segundo pacote de medidas com o objetivo de estimular a oferta de habitação, dispondo de um prazo de 180 dias para a sua implementação.
Entre as propostas, destaca-se a redução do IRS sobre rendimentos prediais de 25% para 10%, com o intuito de incentivar o arrendamento. Está também prevista a isenção de tributação sobre mais-valias na venda de imóveis, desde que os valores sejam reinvestidos em habitação para arrendamento a preços considerados moderados, até 2.300 euros mensais.
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No caso das empresas, apenas metade dos rendimentos prediais passará a ser considerada para efeitos de tributação em IRC. Já para promotores e construtores, o IVA será reduzido de 23% para 6%, desde que os imóveis sejam vendidos até 660 mil euros ou destinados ao arrendamento dentro dos limites definidos.
Apesar destas iniciativas, os indicadores mais recentes sugerem que a crise habitacional em Portugal permanece longe de uma solução, mantendo-se como um dos principais desafios económicos e sociais do país.

