PR moçambicano apela à retirada de zonas de risco face ao ciclone Gezani

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, apelou esta sexta-feira à população para se retirar das zonas de risco devido à aproximação do ciclone Gezani, que deverá atingir nas próximas horas a província de Inhambane, no sul do país, com ventos que podem alcançar os 250 quilómetros por hora.

Daniel Chapo
PR moçambicano apela à retirada de zonas de risco face ao ciclone Gezani © AFP

Em declarações aos jornalistas em Adis Abeba, na Etiópia, onde participa na 35.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo dos Países Membros do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), o chefe de Estado sublinhou que, embora não seja possível travar o fenómeno natural, é fundamental minimizar os danos.

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Não temos como travar o ciclone, mas o que temos de fazer é reduzir os prejuízos e, depois da sua passagem, estar no terreno para avaliar os impactos e definir um plano de recuperação pós-ciclone e pós-cheias”, afirmou.

O Presidente recordou ainda que o país enfrenta esta nova ameaça numa altura em que continua a recuperar das cheias e inundações que afetaram sobretudo as regiões sul e centro, atingindo cerca de 725 mil pessoas em janeiro.

Inam emite alerta vermelho para ventos até 250 km/h e ondas de 12 metros

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) alertou que o ciclone Gezani poderá evoluir para a categoria de ciclone tropical intenso antes de atingir o território moçambicano. Segundo o aviso vermelho emitido pela instituição, o sistema poderá registar ventos médios de 200 quilómetros por hora e rajadas até 250 quilómetros por hora.

De acordo com as projeções, o ciclone encontra-se a cerca de 250 quilómetros da costa do distrito de Massinga, na província de Inhambane, deslocando-se em direção ao litoral. Estão também previstas chuvas intensas acompanhadas de trovoadas severas, bem como agitação marítima com ondas que podem atingir os 12 metros de altura.

Na província de Inhambane, a precipitação poderá ultrapassar os 150 milímetros em 24 horas, especialmente nos distritos de Govuro, Inhassoro, Vilanculo, Massinga, Morumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo e Zavala, além das cidades de Maxixe e Inhambane.

Outras regiões poderão igualmente ser afetadas por chuvas entre 50 e 150 milímetros em 24 horas, incluindo distritos de Mabote e Funhalouro (Inhambane), Machanga (Sofala) e vários pontos da província de Gaza, nomeadamente Mandlakazi, Chongoene, Chibuto, Chigubo, Limpopo e a cidade de Xai-Xai, já impactada pelas cheias de janeiro.

O Inam recomenda a adoção de medidas de precaução face a ventos fortes, precipitação intensa e trovoadas, apelando à população para acompanhar as informações oficiais e cumprir as orientações das autoridades.

País ainda recupera de cheias e enfrenta época chuvosa severa

A aproximação do ciclone Gezani ocorre num contexto de elevada vulnerabilidade. Desde o início da época chuvosa, em outubro, Moçambique registou pelo menos 202 mortos, 291 feridos e mais de 852 mil pessoas afetadas, segundo dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

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Em janeiro, as cheias provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram cerca de 725 mil pessoas em várias regiões do país.

Entretanto, o ciclone já causou pelo menos 40 mortos em Madagáscar, onde atingiu com particular intensidade a cidade de Toamasina, segundo as autoridades locais.

Perante o agravamento das condições meteorológicas, o Governo moçambicano reforça o apelo à retirada das zonas vulneráveis e à proteção de infraestruturas públicas e privadas, numa tentativa de reduzir o impacto humano e material do fenómeno.

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