Portugal vai reforçar o apoio humanitário a Moçambique com a entrega de mais medicamentos e dispositivos médicos, prevista para a próxima segunda-feira, no âmbito da resposta à emergência provocada pelas cheias que atingem o país africano desde o início do ano. A informação foi divulgada através de um comunicado da Embaixada de Portugal em Maputo.

Este novo envio será realizado pela Força de Apoio Militar a Emergências Civis de Reação Imediata (FAMECRI), integrada no Comando Conjunto para as Operações Militares (CCOM) do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), e enquadra-se na ajuda humanitária concedida pelo Estado português às populações afetadas.
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A FAMECRI tem participado na operação KANIMAMBO, que presta apoio nas províncias de Maputo e Gaza, regiões fortemente atingidas pelas inundações.
Consultas médicas, medicamentos e assistência direta às populações
Segundo o comunicado, no âmbito desta operação humanitária foram realizadas 910 consultas presenciais e distribuídos cerca de 200 mil medicamentos, dispositivos médicos e artigos destinados à higienização da água. Equipas médicas e de apoio foram destacadas para os distritos de Boane, Manhiça, Magude, Chokwè e Xai-Xai, onde prestaram assistência direta à população.
As equipas portuguesas apoiaram ainda tecnicamente os serviços de saúde locais e realizaram análises da qualidade da água destinada ao consumo humano, numa tentativa de prevenir surtos de doenças associadas à contaminação da água.
No plano civil-militar, foram igualmente entregues mais de duas toneladas de produtos alimentares e utensílios de cozinha, considerados essenciais para responder às necessidades imediatas das comunidades afetadas.
Transporte fluvial e reabilitação de infraestruturas
O apoio logístico incluiu também o transporte fluvial de 752 pessoas e cerca de cinco toneladas de bens de primeira necessidade, permitindo o acesso a zonas isoladas pelas cheias. Paralelamente, a missão portuguesa realizou intervenções em infraestruturas comunitárias, nomeadamente a reparação de sistemas de drenagem, infraestruturas de abastecimento de água e a construção de rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.
Ajuda internacional soma 93 toneladas de bens humanitários
Além da intervenção da FAMECRI, a Cruz Vermelha Portuguesa e a Fundação Aga Khan irão doar uma nova carga de 21 toneladas de bens humanitários, maioritariamente composta por alimentos e materiais de abrigo. Estes bens serão distribuídos através das respetivas redes humanitárias em Moçambique.
Esta ajuda integra a ponte aérea humanitária da União Europeia, no âmbito do mecanismo ReliefEU Humanitarian Air Bridge, contando também com contribuições da Bélgica, França e Suécia. No total, serão entregues 93 toneladas de kits médicos, alimentos, materiais de abrigo e equipamentos de água, saneamento e higiene, cuja entrega formal está agendada para segunda-feira.
Situação humanitária continua crítica
De acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias registadas desde janeiro já provocaram 25 mortos e afetaram 724.385 pessoas, correspondentes a 170.392 famílias. Foram ainda registados 147 feridos, nove desaparecidos e milhares de habitações danificadas ou destruídas.
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Portugal contribuiu ainda com um milhão de euros para assistência alimentar no âmbito do programa Food from Ukraine e com 300 mil euros destinados ao Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), visando apoio imediato às populações afetadas.
“O Governo português estará sempre ao lado de Moçambique, mobilizando apoios bilaterais e multilaterais para aliviar o sofrimento da população atingida pelas cheias”, refere o comunicado.

