Portugal Afetado por Rio Atmosférico Após Comboio de Tempestades

Após uma sequência de tempestades devastadoras que afetaram o país, Portugal enfrenta agora um fenómeno meteorológico prolongado conhecido como “rio atmosférico”. Este processo, que já dura vários dias, mantém o território sob chuva intensa e persistente, com impactos significativos nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo, além do Alentejo. No entanto, há boas notícias no horizonte: o fenómeno tem data para acabar.

Imagem mostra cão desfocado no primeiro plano e rua alagada ao fundo
Portugal Afetado por Rio Atmosférico Após Comboio de Tempestades © Tiago Miranda

O Que é o “Rio Atmosférico”?

O climatologista Mário Marques explica que o “rio atmosférico” é um fenómeno caracterizado por uma contínua alimentação de ar subtropical, carregado de vapor de água, que se combina com a corrente de jato, influenciando processos de ciclogénese sobre a mesma área. Esse fenômeno resulta em dias consecutivos de chuva intensa, que geralmente perduram por mais de uma semana.

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“O rio atmosférico é visível nas imagens de satélite, como um fio contínuo de humidade que se estende das Caraíbas até aos Açores, trazendo consigo uma grande quantidade de nebulosidade e água”, afirma o especialista.

Embora o fenómeno em si não seja alarmante, o climatologista destaca que, em conjunto com a saturação do solo causada pelas chuvas das últimas semanas, o “rio atmosférico” tem exacerbado os impactos das depressões, como as de Kristin, Leonardo e Marta, que já provocaram a morte de 16 pessoas e dezenas de feridos e desalojados.

Consequências e Impactos: Uma Situação Preocupante

Além da chuva intensa, o “rio atmosférico” tem intensificado o risco de movimentos de terras e destruído infraestruturas, o que representa uma preocupação adicional para as autoridades. O comandante Jorge Mendes sublinha que o maior problema não é a chuva em si, mas o estado de saturação do solo e as áreas ainda inundadas. As bacias hidrográficas dos rios Tejo, Mondego e Sado estão particularmente vulneráveis, e novas alertas foram emitidas para as populações das zonas ribeirinhas.

O Governo, preocupado com as consequências materiais do mau tempo, prolongou a situação de calamidade até o dia 15 de fevereiro para 68 concelhos. Além disso, anunciou medidas de apoio no valor de até 2,5 mil milhões de euros, com o objetivo de minimizar os danos causados pelas tempestades e pelo “rio atmosférico”.

Espera-se uma Mudança de Padrão

Embora o “rio atmosférico” ainda esteja presente até quarta ou quinta-feira, as previsões indicam uma melhoria significativa nas condições meteorológicas após esse período. Mário Marques antecipa uma acalmia nas condições do tempo, com uma possível mudança para dias de nevoeiro e humidade, mas sem a intensidade das tempestades anteriores. “A segunda metade de fevereiro será muito mais calma e soalheira, sem comparações com a primeira quinzena”, conclui o climatologista.

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Com o fim previsto do fenómeno e o avanço das medidas de apoio, as autoridades esperam que o país comece a recuperar dos efeitos devastadores das últimas tempestades, que incluíram destruição de casas, fecho de estradas e interrupção de serviços essenciais.

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