A população da aldeia de Chitunda, na província moçambicana de Cabo Delgado, denunciou este domingo a presença frequente de supostos terroristas em áreas de produção agrícola, situação que está a forçar o abandono dos campos por parte dos camponeses e a agravar a insegurança alimentar local.

De acordo com fontes comunitárias, os movimentos de indivíduos associados a grupos insurgentes têm sido registados com maior frequência na zona de Ruarua, localizada a cerca de 40 quilómetros de Chitunda, ao longo da Estrada Nacional 380, no distrito de Muidumbe. A intensificação destas incursões nas últimas semanas está a gerar um clima de medo constante entre os agricultores, que dependem diretamente da terra para a sua subsistência.
PUBLICIDADE
Has your vehicle been impounded for no insurance? Get impounded car insurance fast.
Na última semana, um grupo de camponeses relatou ter avistado insurgentes a atravessar a região, o que desencadeou a fuga imediata para áreas consideradas mais seguras, nomeadamente para a aldeia de Chitunda e para a sede distrital de Muidumbe. Muitos abandonaram não apenas os campos, mas também bens essenciais, receando ataques iminentes. “Já passaram perto das nossas cabanas e tivemos que abandonar a zona”, relatou uma das fontes locais.
Além disso, residentes referem que a presença dos supostos terroristas não é pontual, mas sim recorrente, aumentando a perceção de risco e dificultando o regresso às atividades agrícolas normais.
Receio de ataques e perdas na época de colheita
Com a aproximação do período de colheita, cresce a apreensão entre os agricultores quanto à possibilidade de perderem as suas produções. A agricultura de subsistência é a principal fonte de rendimento e alimentação para muitas famílias da região, pelo que qualquer interrupção representa um impacto direto no seu sustento.
“Não sei se vamos conseguir tirar tudo, eles passam aqui sempre”, lamentou outro residente, evidenciando o sentimento de incerteza que domina a comunidade. O receio de ataques ou de saque das colheitas está a levar muitos camponeses a antecipar colheitas ou, em alguns casos, a abandonar completamente os campos.
Esta situação poderá ter consequências mais amplas, incluindo o agravamento da insegurança alimentar e o aumento da dependência de ajuda humanitária, numa região que já enfrenta desafios significativos devido ao conflito armado.
Conflito prolongado continua a afetar Cabo Delgado
A província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais, nomeadamente gás, tem sido palco de ataques extremistas há mais de oito anos. O primeiro ataque foi registado a 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, marcando o início de uma insurgência armada que continua a comprometer a estabilidade da região.
🚨 Quer receber notícias em tempo real? Siga o nosso canal do WhatsApp!
Desde então, diversas comunidades têm sido alvo de violência, deslocações forçadas e destruição de infraestruturas, contribuindo para uma crise humanitária prolongada. Apesar de operações militares e apoio internacional, a presença de grupos armados mantém-se uma ameaça constante em várias zonas da província.
Dados recentes apontam para aumento da violência
Segundo dados recentes da organização ACLED (Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), Cabo Delgado registou cinco episódios violentos em apenas duas semanas, dos quais quatro foram atribuídos a grupos associados ao Estado Islâmico, resultando em 30 mortos.
O relatório, referente ao período entre 23 de fevereiro e 8 de março, indica que, desde o início da insurgência em 2017, foram contabilizados 2.338 eventos violentos, sendo 2.168 ligados a elementos do Estado Islâmico em Moçambique.
PUBLICIDADE
Looking for car insurance in the UK? Compare car insurance with I Compare 4U.
No total, estes confrontos já provocaram cerca de 6.498 vítimas mortais ao longo de oito anos e meio, incluindo civis, insurgentes e forças governamentais. Estes números refletem a persistência e a intensidade de um conflito que continua a afetar profundamente a vida das populações locais, limitando o acesso a meios de subsistência e dificultando a recuperação económica da região.
Perante este cenário, as comunidades locais apelam a um reforço das medidas de segurança e à presença das autoridades, de forma a garantir condições mínimas para o regresso às atividades agrícolas e à normalidade do quotidiano.

