Polícia disse que morte em Nottingham foi acidente rodoviário

A companheira de Ian Coates revelou, durante uma audiência de inquérito, que foi inicialmente informada pela Nottinghamshire Police de que o parceiro teria morrido num acidente de viação, quando na realidade foi vítima de um esfaqueamento.


A companheira de Ian Coates
Polícia disse que morte em Nottingham foi acidente rodoviário © PA

Elaine Newton afirmou que a situação fez com que sentisse que o companheiro “foi morto duas vezes”, devido à forma como recebeu informações contraditórias. Segundo relatou, foram necessárias mais de quatro horas até que lhe fosse comunicada a verdadeira causa da morte.

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Inicialmente, os agentes indicaram que se tratava de um acidente rodoviário, versão que Elaine Newton questionou, uma vez que acreditava que o companheiro estaria a trabalhar. Só mais tarde, através de oficiais de ligação, foi informada de que Ian Coates tinha sido esfaqueado.

Ataques em Nottingham continuam sob escrutínio público

O crime ocorreu no contexto dos ataques de Nottingham, em 2023, perpetrados por Valdo Calocane, diagnosticado com esquizofrenia paranoide. Antes de matar Ian Coates, o agressor já tinha assassinado Barnaby Webber e Grace O’Malley-Kumar.

Durante o inquérito, Elaine Newton afirmou que desconhecia incidentes anteriores envolvendo o agressor e a polícia até ao início do processo de investigação. Criticou ainda a falta de partilha de informação entre as autoridades, nomeadamente entre a polícia e os serviços de saúde.

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A testemunha referiu também que, apesar de ter pedido para não ser exposta a imagens do suspeito, acabou por visualizar vídeos do agressor a circular pela cidade no dia dos ataques.

Críticas à atuação das autoridades e falhas na coordenação

Elaine Newton manifestou forte descontentamento com a atuação das autoridades, acusando a polícia e os serviços de saúde de falhas graves na comunicação e coordenação. Segundo afirmou, estas lacunas contribuíram para que o agressor permanecesse em liberdade.

A companheira da vítima relatou ainda que recebeu explicações consideradas insuficientes por parte da polícia sobre o facto de Valdo Calocane ter conseguido circular pela cidade após os primeiros crimes. Entre as justificações apresentadas, foram referidas limitações de recursos policiais.

O agressor tinha recebido alta médica do Nottinghamshire Healthcare NHS Foundation Trust em setembro de 2022. Após tomar conhecimento do historial clínico, Elaine Newton afirmou não estar interessada em pedidos de desculpa por parte da instituição, considerando-os tardios.

Quem era Ian Coates

Ian Coates, de 65 anos, trabalhava como funcionário escolar e foi descrito como um membro respeitado e querido pela comunidade educativa. Era funcionário da L.E.A.D. Academy Trust.

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Os seus filhos, Lee Coates e James Coates, recordaram-no como um pai dedicado e apaixonado por futebol e pesca, destacando o seu envolvimento em atividades com jovens desfavorecidos.

A família sublinhou que Ian Coates estava a poucos meses da reforma e que a sua morte teve um impacto profundo, descrevendo-a como um acontecimento que “abalou o mundo” de todos os que o conheciam.

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