Polícia apreende 57 telemóveis e droga em cadeia de máxima segurança em Maputo

A polícia moçambicana apreendeu 57 telemóveis, bem como canábis e outros objetos proibidos, durante uma operação de revista realizada no Estabelecimento Penitenciário de Máxima Segurança, em Maputo. A ação foi conduzida pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e insere-se numa estratégia de reforço do controlo interno nas prisões.

polícia moçambicana
Polícia apreende 57 telemóveis e droga em cadeia de máxima segurança em Maputo © Lusa

De acordo com as autoridades, esta intervenção surge na sequência de operações anteriores realizadas no mesmo estabelecimento, onde já tinham sido recolhidos mais de 90 telemóveis, carregadores, cigarros e substâncias estupefacientes. A repetição das apreensões levou a uma intensificação das buscas no interior da cadeia.

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O porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, explicou que estas ações têm como objetivo travar o uso de equipamentos eletrónicos no interior das celas, sublinhando que os estabelecimentos prisionais têm sido identificados como pontos de origem de crimes de burla e fraude digital.

Cadeias usadas como base para burlas e clonagem de perfis

Segundo o SERNIC, investigações em curso indicam que reclusos recorrem a telemóveis para a prática de crimes cibernéticos, incluindo burlas através de redes sociais e aplicações de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, bem como clonagem de perfis para enganar vítimas no exterior.

Hilário Lole afirmou que esta realidade tem vindo a ganhar expressão em Moçambique, o que motivou uma resposta mais rigorosa por parte das autoridades. “Essa busca é sustentada mesmo pelo elevado índice dos crimes de burla com recurso a aparelhos eletrónicos e clonagem de perfis nas redes sociais”, referiu o responsável.

Durante a operação mais recente, foram também encontrados dois pacotes de canábis, além dos 57 telemóveis apreendidos. A polícia não detalhou, nesta fase, a forma como os dispositivos e substâncias terão entrado no estabelecimento prisional.

Reclusos identificados e investigação estende-se a facilitadores

Todos os reclusos encontrados na posse de telemóveis ou droga foram identificados, estando agora sujeitos a processos de averiguação interna e eventual responsabilização criminal.

O SERNIC pretende igualmente apurar as redes de facilitação que permitem a entrada de objetos proibidos nas instalações prisionais, incluindo a possível participação de terceiros fora da cadeia e de funcionários do sistema penitenciário.

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As autoridades alertaram que qualquer envolvimento de agentes penitenciários ou funcionários públicos será alvo de responsabilização disciplinar e criminal, caso se confirme a sua participação nos esquemas.

Apreensões sucessivas revelam fragilidades no sistema prisional

A repetição de apreensões no Estabelecimento Penitenciário de Máxima Segurança levanta preocupações sobre o controlo de segurança no interior das prisões moçambicanas.

Na operação anterior, realizada dias antes, o SERNIC já tinha revistado mais de 100 reclusos, resultando na apreensão de mais de 90 telemóveis, carregadores, cigarros e canábis. Estes dados reforçam a suspeita de que existe uma circulação contínua de bens proibidos no interior do sistema prisional.

Perante este cenário, o SERNIC admite que as operações de busca e fiscalização vão passar a ser regulares e mais frequentes, com o objetivo de desarticular redes internas de comunicação ilícita e reduzir a capacidade de organização criminosa a partir das cadeias.

Autoridades prometem endurecimento das medidas de controlo

As autoridades moçambicanas defendem que o reforço das operações de inspeção é essencial para travar a utilização das prisões como centros de coordenação de atividades criminosas.

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O SERNIC sublinha que o combate aos crimes cibernéticos passa, necessariamente, pelo controlo rigoroso dos meios de comunicação no interior dos estabelecimentos prisionais, considerando os telemóveis como o principal instrumento utilizado nestes esquemas.

As investigações continuam em curso e novas operações não estão descartadas, num esforço para reforçar a segurança e a integridade do sistema prisional em Moçambique.

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