Dois petroleiros foram atingidos por explosivos durante a madrugada ao largo da costa do Iraque, provocando incêndios a bordo e aumentando a preocupação com a segurança das rotas marítimas no Golfo Pérsico. As autoridades marítimas indicam que os ataques terão sido realizados com embarcações não tripuladas carregadas com explosivos, semelhantes a drones marítimos.

De acordo com o organismo britânico responsável pela monitorização da segurança marítima, o UK Maritime Trade Operations, o incidente ocorreu por volta da 1h30 (hora local). Os navios Safesea Vishnu, registado nas Ilhas Marshall, e Zefyros foram atingidos por um “projétil desconhecido” enquanto navegavam ao largo da costa iraquiana.
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Segundo agências de notícias do Iraque, as embarcações transportavam fuelóleo proveniente do país quando foram atingidas dentro das águas territoriais. No total, 38 membros das tripulações foram resgatados, mas o ataque provocou uma vítima mortal.
As explosões provocaram incêndios a bordo dos petroleiros, obrigando a uma operação de emergência para retirar os tripulantes e evitar um desastre ambiental de maiores dimensões.
Navio porta-contentores também atingido nos Emirados Árabes Unidos
Durante a mesma noite, outro incidente foi registado na região. Um navio porta-contentores foi atingido por um ataque ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos, provocando igualmente um incêndio a bordo.
Apesar dos danos registados na embarcação, as autoridades confirmaram que todos os tripulantes conseguiram abandonar o navio em segurança, não havendo registo de feridos neste caso.
Farhan al-Fartousi, diretor-geral da empresa estatal iraquiana responsável pelos portos, confirmou que os dois petroleiros transportavam combustível iraquiano quando foram alvo de ataques ainda não identificados.
“Dois petroleiros estrangeiros que transportavam fuelóleo iraquiano foram alvo de ataques dentro das águas territoriais, o que provocou incêndios nas embarcações”, afirmou o responsável.
Iraque suspende exportações de petróleo enquanto investiga ataques
Na sequência dos incidentes, as autoridades iraquianas decidiram suspender temporariamente todas as operações portuárias relacionadas com a importação e exportação de petróleo. A medida foi tomada como forma de garantir a segurança das infraestruturas e evitar novos incidentes enquanto decorrem investigações.
No entanto, os portos comerciais destinados ao transporte de contentores continuam a funcionar normalmente, permitindo que outras atividades marítimas prossigam sem interrupções significativas.
Especialistas em segurança marítima alertam que estes ataques podem ter consequências diretas no comércio internacional, uma vez que a região do Golfo é responsável por uma parte significativa do fornecimento global de energia.
Estreito de Ormuz continua a ser ponto crítico para o comércio mundial
Os incidentes surgem num momento de forte tensão geopolítica na região, envolvendo o Irão, os Estados Unidos e Israel. Um porta-voz do comando militar iraniano advertiu que a escalada do conflito poderá ter impacto direto nos mercados energéticos globais.
“Preparem-se para ver o petróleo a 200 dólares por barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional que foi desestabilizada”, afirmou.
Um dos principais focos de preocupação internacional é o Estreito de Ormuz, uma estreita via marítima situada ao largo da costa sul do Irão. Esta passagem liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico e é considerada uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
Todos os dias, cerca de 80 petroleiros e navios transportadores de gás natural atravessam o estreito, transportando aproximadamente um quinto de todo o petróleo bruto comercializado no mundo.
Devido à sua importância estratégica, qualquer interrupção nesta rota pode ter consequências imediatas para os mercados energéticos internacionais.
Tensões militares aumentam risco para o tráfego marítimo
A tensão na região intensificou-se depois de os Estados Unidos terem destruído dez embarcações iranianas que estariam alegadamente a colocar minas marítimas na rota de navegação.
O Irão possui um arsenal estimado em cerca de cinco mil minas navais, que podem ser colocadas no mar a partir de pequenas embarcações, submarinos ou até navios civis disfarçados.
Estas minas representam uma ameaça significativa para a navegação internacional, uma vez que são relativamente baratas, fáceis de instalar e difíceis de detetar.
Nos últimos dias, várias companhias marítimas começaram a evitar a região ou a adotar medidas extraordinárias de segurança. Alguns navios que ainda atravessam o estreito optam por desligar os sistemas de localização automática, reduzindo a possibilidade de serem identificados ou rastreados.
Mercados petrolíferos sob pressão devido à instabilidade regional
A escalada do conflito está também a provocar instabilidade nos mercados energéticos internacionais. O receio de interrupções no fornecimento global de petróleo tem levado governos e organizações internacionais a adotar medidas preventivas.
A Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que irá libertar cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas com o objetivo de estabilizar os mercados e evitar uma subida abrupta dos preços.
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O Governo do Reino Unido confirmou que irá contribuir com 13,5 milhões de barris provenientes das suas reservas nacionais para esta operação coordenada.
Apesar da volatilidade, o preço do petróleo Brent registava uma subida de cerca de 3,5% na quarta-feira, atingindo 90,87 dólares por barril. Ainda assim, o valor permanece abaixo do pico registado no início da semana, quando os mercados reagiram à intensificação do conflito envolvendo o Irão.
Analistas alertam que, caso a situação continue a deteriorar-se, o impacto no preço do petróleo poderá ser ainda mais significativo, afetando não apenas os mercados energéticos, mas também a economia global.

