Peter Mandelson abandona Labour após novos escândalos Epstein

Peter Mandelson, uma das figuras mais proeminentes do Partido Trabalhista no Reino Unido, anunciou a sua saída da formação política após a divulgação de novos documentos que reforçam as suas ligações com o bilionário pedófilo Jeffrey Epstein.

Peter Mandelson
Peter Mandelson abandona Labour após novos escândalos Epstein © Carl Court-Pool/Getty Images

A decisão de Mandelson ocorre após a divulgação de arquivos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que mostram pagamentos substanciais feitos ao ex-ministro e ao seu marido, Reinaldo Avila da Silva, por parte de Epstein.

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Mandelson: “Não Desejo Causar Mais Embaraço ao Partido Trabalhista”

O ex-membro do governo britânico revelou a sua decisão através de uma carta enviada no domingo à secretária-geral do Partido Trabalhista, Hollie Ridley. No documento, Mandelson expressou remorso pelas alegações recentes e afirmou que a situação precisava de uma investigação pessoal.

“As alegações que considero falsas, sobre pagamentos financeiros feitos a mim há 20 anos, devem ser investigadas por mim. Enquanto o faço, não desejo causar mais embaraço ao Partido Trabalhista e, portanto, estou a abdicar da minha militância”, escreveu.

Mandelson foi uma figura central na política do Partido Trabalhista durante quatro décadas, tendo exercido o cargo de Secretário de Estado para os Negócios em dois períodos distintos, durante os mandatos de Tony Blair e Gordon Brown. A sua carreira, contudo, foi marcada por várias controvérsias, incluindo a sua saída do governo em duas ocasiões devido a acusações de práticas impróprias.

Escândalos Envolvem Pagamentos e Imagens Comprometedoras

Os novos documentos revelados no fim de semana expõem uma série de transações financeiras entre Epstein e Mandelson, incluindo pagamentos que continuaram mesmo após o encarceramento do financista. Entre as informações divulgadas, destaca-se um e-mail onde Mandelson menciona tentativas de pressionar o então Ministro das Finanças, Alistair Darling, para alterar um imposto sobre bónus bancários, enquanto ocupava o cargo de Secretário de Estado para os Negócios.

Além disso, as imagens recentemente divulgadas dos arquivos de Epstein incluem uma fotografia comprometedora de Mandelson, onde aparece em roupa íntima, conversando com uma mulher não identificada. O ex-ministro tem negado consistentemente qualquer envolvimento nos crimes de Epstein, alegando que, por ser gay, pode ter sido protegido da rede criminosa sem o seu conhecimento.

Mandelson, aparece em roupa íntima, conversando com uma mulher não identificada
Mandelson, aparece em roupa íntima, conversando com uma mulher não identificada © Department of Justice

Reinaldo Avila da Silva Também Envolvido nos Pagamentos de Epstein

A divulgação de novos arquivos coloca igualmente em foco o marido de Mandelson, Reinaldo Avila da Silva, que, segundo os documentos, terá recebido pagamentos de milhares de libras por parte de Epstein em transações ocorridas em 2009 e 2010. Em um dos e-mails, da Silva solicita um empréstimo de £10.000 para custear um curso de osteopatia, ao que Epstein responde prontamente, indicando que faria a transferência imediatamente.

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Mandelson e da Silva estão juntos desde os anos 1990 e casaram-se em outubro de 2023. O escândalo levanta questões sobre a postura do governo britânico, com algumas figuras políticas a exigir que Mandelson seja afastado da Câmara dos Lordes, onde ocupa um lugar desde 2008.

Sir Ed Davey, líder dos Liberal Democratas, criticou a falta de ação do Partido Trabalhista e apelou ao governo para retirar Mandelson da Câmara dos Lordes.

“Se Mandelson ainda tiver alguma vergonha, deve retirar-se hoje mesmo enquanto este processo se desenrola”, afirmou.

Stephen Flynn, líder do SNP no Parlamento de Westminster, também expressou a sua indignação através das redes sociais, sugerindo que o Partido Trabalhista foi “fraco” em remover Mandelson, e que agora o governo deve tomar medidas imediatas para afastá-lo do cargo.

Este escândalo continua a afetar a reputação de figuras-chave do Partido Trabalhista e coloca em questão a integridade do processo de nomeação para cargos de alto escalão no Reino Unido.

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