Um pescador é suspeito de ter enganado o sistema de controlo sanitário do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) durante vários anos, permitindo a comercialização de amêijoa contaminada proveniente do Estuário do Tejo. O caso já terá provocado 348 internamentos hospitalares em vários países europeus, segundo dados reunidos pelo Ministério Público.

De acordo com a investigação em curso, o mariscador terá sido contratado para recolher amostras destinadas à análise da qualidade sanitária dos bivalves, mas alegadamente manipulou o processo para permitir a continuidade da apanha e comercialização do produto.
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Amêijoa contaminada entrou no mercado como produto do Estuário do Sado
As autoridades indicam que o marisco contaminado terá sido comercializado de forma fraudulenta, sendo apresentado como proveniente do Estuário do Sado, uma zona considerada sanitariamente segura para a apanha de bivalves.
No entanto, investigações realizadas no âmbito de um inquérito-crime revelaram que a amêijoa era recolhida no Estuário do Tejo e apresentava níveis elevados de toxicidade, incluindo presença de metais pesados e bactérias perigosas para a saúde pública.
Entre os microrganismos identificados estão Salmonella e Escherichia coli, frequentemente associadas a infeções alimentares graves.
Apesar de não cumprir os requisitos mínimos de segurança alimentar, o produto terá sido introduzido no circuito de consumo humano em larga escala.
Mais de 300 internamentos registados em vários países europeus
Segundo o Ministério Público, o consumo do marisco contaminado terá provocado 348 internamentos hospitalares em diversos países europeus, incluindo Portugal, Alemanha, Suécia, Irlanda e Grécia.
Os casos estão relacionados com intoxicações alimentares associadas ao consumo de amêijoa contaminada, que, segundo os investigadores, nem sequer estaria apta para utilização em fabrico de farinhas ou conservas destinadas a alimentação animal.
Ainda assim, o produto terá sido distribuído e vendido em mercados de consumo humano, aumentando o risco sanitário para milhares de consumidores.
Apanha de bivalves no Tejo proibida desde janeiro
Na sequência das conclusões preliminares da investigação e das análises laboratoriais realizadas, as autoridades determinaram a proibição da apanha de amêijoa no Estuário do Tejo em janeiro.
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O caso continua sob investigação judicial para apurar eventuais responsabilidades criminais, incluindo fraude alimentar, falsificação de origem do produto e colocação no mercado de alimentos perigosos para a saúde pública.
As autoridades alertam para a importância de reforçar os mecanismos de controlo sanitário na cadeia de produção e comercialização de marisco, de forma a prevenir novos episódios semelhantes e proteger os consumidores.

