As autoridades judiciais italianas acusam um casal de negligência grave e maus-tratos após alegadamente ter ocultado durante anos a infeção por VIH da filha, atualmente com nove anos. O caso está a ser investigado pelo Ministério Público de Bolonha, no norte de Itália, e poderá resultar em acusações formais contra os pais.

Segundo informações divulgadas pela imprensa italiana, os procuradores pretendem avançar com acusações de maus-tratos graves que terão provocado lesões sérias na criança. O caso deverá ser analisado em audiência judicial prevista para maio.
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Gravidez e nascimento fora de unidade médica
De acordo com as investigações, a mãe da criança terá escondido que era portadora do vírus da imunodeficiência humana (VIH) durante a gravidez. Em 2017, terá viajado para Espanha, onde deu à luz fora de qualquer unidade de saúde.
Após o nascimento, o casal regressou a Itália com a filha. Contudo, segundo os relatos das autoridades citados pelos meios de comunicação social, não foram tomadas medidas médicas básicas para verificar se o vírus tinha sido transmitido à criança.
Durante vários anos, os pais alegadamente não levaram a filha a consultas médicas nem garantiram a realização de vacinas ou exames de rotina.
Estado de saúde da criança levantou suspeitas médicas
A situação apenas veio a público em julho de 2023, quando os pais decidiram procurar assistência médica devido a febre e tosse persistente da criança.
Segundo a imprensa italiana, o médico que a observou constatou sinais preocupantes: a menina apresentava sinais de desnutrição, dificuldades em caminhar, problemas dentários graves e ainda usava fraldas. Perante o quadro clínico, o profissional recomendou hospitalização imediata e chegou mesmo a ameaçar contactar a polícia devido à relutância inicial dos pais.
Foi no hospital que os médicos confirmaram que a criança era portadora de VIH. Só então os pais terão explicado às autoridades a sequência de acontecimentos.
Pais negam intenção de prejudicar a filha
De acordo com o jornal Corriere della Sera, o casal rejeita as acusações mais graves. Os pais afirmam não ser contra a vacinação e negam ter viajado para Espanha com o objetivo de evitar controlos médicos em Itália.
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Segundo a sua versão, a deslocação ao país vizinho ocorreu porque familiares da mãe, de origem colombiana, vivem em Espanha. Alegam também que a criança terá recebido cuidados médicos naquele país até 2019, altura em que regressaram a Itália.
Ainda assim, os registos indicam que a menina só foi inscrita junto de um médico privado em Bolonha em 2022.
O advogado de defesa sustenta que o processo judicial deverá determinar se existiu ou não intenção deliberada de prejudicar a criança. A decisão caberá ao tribunal na audiência marcada para maio.

