Uma operação da Polícia Metropolitana de Londres, conhecida como “Operation Pisces”, está a gerar controvérsia após várias trabalhadoras do sexo denunciarem um aumento do risco para a sua segurança. A iniciativa, lançada em junho de 2024 em parceria com o conselho local de Enfield, tinha como objetivo combater o crime organizado e comportamentos antissociais na região.

No entanto, segundo relatos de mulheres que exercem trabalho sexual na zona, a presença intensificada da polícia levou a mudanças significativas na forma como trabalham, obrigando-as a deslocarem-se para áreas mais isoladas e menos seguras.
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Maria, uma mulher de 27 anos que trabalha nas ruas de Enfield há vários anos após ter emigrado da Roménia, afirma que a operação agravou as condições no terreno. “A polícia está por todo o lado. Mandam-nos sair constantemente e ameaçam-nos com detenções. Isso obriga-nos a ir para locais escuros e perigosos”, relata.
Mudanças aumentam vulnerabilidade e exposição à violência
Antes da implementação da operação, muitas trabalhadoras atuavam em zonas iluminadas e com maior movimento, onde podiam apoiar-se mutuamente. Com o reforço policial, passaram a trabalhar sozinhas em ruas desertas, parques ou zonas escondidas, o que, segundo várias fontes, aumentou significativamente o risco de agressões.
Especialistas em saúde pública e organizações de apoio alertam para as consequências desta abordagem. De acordo com investigadores que acompanham o terreno, houve um aumento de relatos de violência por parte de clientes, bem como uma diminuição da confiança nas autoridades.
Além disso, muitas mulheres deixaram de recorrer a serviços de apoio, por receio de serem identificadas, interrogadas ou mesmo de perderem a guarda dos filhos.
Autoridades defendem estratégia e apontam redução da criminalidade
A Polícia Metropolitana defende que a operação integra uma estratégia mais ampla do Ministério do Interior britânico, denominada “Clear, Hold, Build”, destinada a reduzir o crime organizado a longo prazo.
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Segundo responsáveis policiais, ao longo de 18 meses foram efetuadas mais de mil detenções no âmbito desta estratégia, sendo apenas uma pequena parte relacionada com trabalhadoras do sexo e por infrações consideradas menores.
As autoridades afirmam ainda que já se registou uma diminuição dos níveis de criminalidade e comportamentos antissociais na área de Enfield. No entanto, admitem que a menor visibilidade das trabalhadoras do sexo pode ser uma consequência não intencional da operação.
Organizações denunciam impacto “devastador” nas trabalhadoras
Grupos de defesa dos direitos das trabalhadoras do sexo criticam fortemente a atuação policial, classificando-a como uma forma de repressão que coloca estas mulheres em maior perigo.
Segundo estas organizações, muitas das trabalhadoras são mães, sobreviventes de violência doméstica ou migrantes em situação vulnerável, recorrendo ao trabalho sexual como meio de subsistência.
Relatos indicam que o clima de medo aumentou, com mulheres a sentirem-se perseguidas e pressionadas, o que agrava situações de trauma e dificulta o acesso a alternativas.
Nova operação levanta preocupações sobre continuidade da abordagem
Após o fim da “Operation Pisces”, em dezembro de 2025, as autoridades avançaram com uma nova iniciativa, denominada “Operation Amicus”, que promete focar-se na proteção e apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Ainda assim, especialistas manifestam reservas quanto à eficácia da nova estratégia, temendo que mantenha os mesmos impactos negativos. A quebra de confiança entre as trabalhadoras e as instituições é apontada como um dos principais desafios a ultrapassar.
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Organizações apelam a uma mudança de abordagem, defendendo medidas centradas na proteção, apoio social e descriminalização, como forma de garantir maior segurança e dignidade às trabalhadoras do sexo.
Enquanto o debate continua, permanece a preocupação de que políticas repressivas possam, paradoxalmente, aumentar os riscos para quem já vive em situação de vulnerabilidade.

