A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para “muito alto” o risco para a saúde pública associado ao atual surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC), numa altura em que a doença já terá provocado 177 mortes em cerca de 750 casos suspeitos.

Apesar de o risco global continuar classificado como “baixo”, especialistas alertam para a rápida propagação da doença na região da África Central e defendem medidas preventivas por parte das autoridades de saúde internacionais, incluindo em Portugal.
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Surto de ébola está a espalhar-se rapidamente na República Democrática do Congo
Segundo a OMS, o surto poderá estar ativo há vários meses e apresenta sinais de rápida disseminação em diferentes zonas da República Democrática do Congo.
O vírus do ébola provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa e potencialmente fatal, sendo conhecido pelas elevadas taxas de mortalidade associadas aos surtos registados em África nas últimas décadas.
As autoridades internacionais de saúde têm demonstrado preocupação com a possibilidade de agravamento da situação, sobretudo devido às dificuldades de deteção precoce, isolamento de casos e rastreamento de contactos em regiões com sistemas de saúde fragilizados.
A OMS sublinha que o risco mais significativo permanece concentrado na África Central, onde a transmissão comunitária e hospitalar continua a representar uma ameaça séria à saúde pública.
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Especialistas alertam para necessidade de prevenção e comunicação em Portugal
Em declarações ao Jornal de Notícias, a especialista Isabel de Santiago explicou que, apesar da gravidade do surto, “o risco de uma pandemia global é baixo”, uma vez que o vírus do ébola possui características de transmissão diferentes de doenças respiratórias de propagação mais rápida.
Ainda assim, a especialista considera que as autoridades portuguesas deveriam já ter reforçado a comunicação preventiva junto da população e dos profissionais de saúde.
“DGS já deveria ter enviado mensagens preventivas”, alertou, defendendo maior preparação para eventual deteção de casos importados e sensibilização para procedimentos de segurança sanitária.
Segundo os especialistas, o controlo eficaz do surto depende sobretudo da rapidez na identificação de infetados, isolamento imediato, rastreamento de contactos e aplicação rigorosa de medidas de proteção em unidades hospitalares e cerimónias fúnebres.
OMS mantém risco global baixo, mas acompanha evolução do surto
Apesar da subida do nível de alerta na RDC, a OMS continua a considerar baixo o risco de propagação internacional em larga escala. Ainda assim, a organização mantém monitorização constante da evolução epidemiológica do surto.
O ébola transmite-se através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas infetadas ou cadáveres contaminados, o que torna essenciais as medidas de contenção e proteção individual.
Os surtos anteriores demonstraram que atrasos na resposta sanitária podem contribuir significativamente para o aumento do número de infeções e vítimas mortais.
Autoridades de saúde acompanham situação internacional
As autoridades de saúde de vários países europeus acompanham a evolução do surto, sobretudo devido às ligações aéreas internacionais e à possibilidade de circulação de pessoas provenientes das regiões afetadas.
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Até ao momento, não existem indicações de risco elevado para Portugal, mas especialistas defendem que a preparação e a comunicação preventiva continuam a ser fundamentais para evitar situações de alarme ou resposta tardia.
A evolução do surto na República Democrática do Congo continuará sob observação das organizações internacionais de saúde nas próximas semanas.

