Nigel Baker, um homem de 56 anos apelidado de “pior fraudador romântico” de Londres e do Reino Unido, foi condenado a 17 anos de prisão após enganar cinco mães divorciadas e roubar as suas economias de uma vida inteira. A sentença, considerada histórica por ser a mais longa já aplicada por fraude romântica no Reino Unido, foi proferida pelo juiz Charles Falk, após o veredicto de culpabilidade de Baker em 18 acusações de fraude por falsa representação.

O esquema de fraude e as vítimas
Baker, natural de Romford, utilizou plataformas de encontros online como o Plenty of Fish para se aproximar de mulheres solteiras, especialmente mães divorciadas. Ele seduziu e manipulou as vítimas, convencendo-as a transferirem grandes quantias de dinheiro sob o pretexto de investimentos em apostas online. A vítima mais afetada, uma empresária bem-sucedida, teve perdas próximas a £4 milhões em um dos sites de apostas em que Baker usou o dinheiro para apostar.
O fraudador alegava ser um “bookie” (agenciador de apostas), assegurando às vítimas que seus investimentos estavam “seguros” e sem risco. As mulheres, algumas delas profissionais de sucesso, como polícias, contadoras e empresárias, entregaram quantias que variavam entre £50.000 e £200.000, sendo muitas vezes pressionadas a pedir empréstimos ou vender os seus bens. No total, Baker conseguiu roubar quase £1 milhão, embora se saiba que as perdas reais ultrapassam esse valor, já que outras vítimas não puderam ver os seus casos analisados durante o julgamento.
O impacto emocional e financeiro das vítimas
Durante a leitura das declarações das vítimas em tribunal, várias expressaram o quanto o golpe afetou não só as suas finanças, mas também a sua autoestima e bem-estar emocional. Uma das vítimas, uma polícia divorciada, descreveu como se sentiu “envergonhada, humilhada e usada” ao perceber que o que acreditava ser um relacionamento genuíno se tratava apenas de manipulação para fins financeiros.
Outra vítima, uma contadora na casa dos 60 anos, descreveu o sofrimento causado pela perda de £200.000, que retirou de um empréstimo hipotecário da sua casa para alimentar os vícios de Baker. Ela afirmou que o impacto emocional foi “intenso” e que Baker “não merecia mais nada além de ser punido pelo sofrimento e pelas perdas financeiras extremas que causou”.

O julgamento e a sentença
O juiz Falk descreveu Baker como um “charlatão” e destacou a sua capacidade de manipulação emocional, dizendo que ele “explorou implacavelmente” a confiança das vítimas. Para o tribunal, Baker foi “calculista” e “persistente”, com um plano de fraude meticulosamente orquestrado ao longo de oito anos. O juiz também criticou a sua falta de empatia e explicou que a motivação do fraudador era puramente financeira, sem qualquer consideração pelas vítimas.
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Baker foi ainda descrito como alguém que, uma vez esgotados os recursos das vítimas, se afastava e partia em busca de novos alvos. Após ser preso, ele tentou justificar os seus atos com alegações de vício em jogos de azar e trauma psicológico resultante de um acidente, mas estas defesas foram refutadas pelo tribunal, que destacou a natureza deliberada e calculada das suas ações.
Com a condenação, espera-se que a pena de 17 anos de prisão sirva de alerta para outros que tentem explorar os vulneráveis no âmbito de fraudes românticas. O caso também destaca a importância de se ter cautela ao lidar com relacionamentos online e a necessidade de se proteger contra fraudes financeiras.

