A Noruega vai disponibilizar dois milhões de dólares (cerca de 1,7 milhões de euros) para apoiar famílias afetadas pelas cheias em Moçambique, que já atingiram mais de 141 mil famílias em cerca de quinze dias. O anúncio foi feito pela Embaixada da Noruega em Maputo, num contexto de agravamento da crise humanitária provocada pelas fortes chuvas que assolam várias regiões do país.

Apoio internacional canalizado para ajuda humanitária
Segundo a informação divulgada, os fundos serão canalizados para a Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Moçambique, para a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e para o Conselho de Refugiados da Noruega. O objetivo é garantir apoio imediato às populações mais vulneráveis.
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A ajuda financeira destina-se a assegurar abrigo seguro, acesso a água potável, saneamento, operações de busca e salvamento e assistência financeira direta às famílias afetadas pelas cheias. Esta contribuição soma-se ainda aos cinco milhões de dólares mobilizados pelo Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF), do qual a Noruega é um dos principais doadores globais.
O ministro do Desenvolvimento da Noruega, Åsmund Aukrust, sublinhou que Moçambique é um dos países mais afetados pelas alterações climáticas, apesar de ter uma responsabilidade mínima na crise global. “Quando uma catástrofe como esta acontece, é essencial que a Noruega ajude onde puder”, afirmou.
Mais de 650 mil pessoas afetadas em todo o país
De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias já afetaram 651.843 pessoas desde 7 de janeiro, com registo de 12 mortos, 45 feridos e quatro desaparecidos. Atualmente, 95.870 pessoas encontram-se em centros de abrigo, distribuídos por 94 centros de acomodação, número que aumentou nas últimas 24 horas.
Os dados mais recentes indicam que 3.396 casas foram parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71.600 inundadas, afetando sobretudo as províncias de Maputo e Gaza, no sul do país. Em apenas um dia, o número de pessoas afetadas aumentou em cerca de 10 mil.
Impacto nas infraestruturas, agricultura e acessos
As cheias provocaram danos significativos em infraestruturas essenciais, com 229 unidades sanitárias, 364 escolas, três pontes e 1.336 quilómetros de estradas afetados. As estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, permanecem intransitáveis na cidade de Maputo devido à subida das águas.
O setor agrícola é um dos mais afetados, com 232.163 hectares de áreas agrícolas danificadas, impactando a atividade de 174.056 agricultores. Registou-se ainda a morte de 74.593 cabeças de gado, incluindo bovinos, caprinos e aves, agravando a insegurança alimentar em várias comunidades.
Operações de resgate continuam no sul de Moçambique
As autoridades continuam a realizar operações de resgate de centenas de famílias que permanecem sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo nas províncias de Maputo e Gaza. As ações decorrem com o apoio de meios aéreos nacionais e internacionais, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra, embora estejam condicionadas pelas condições meteorológicas.
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Desde o início da época chuvosa, em outubro, já morreram 131 pessoas em Moçambique, e 779.506 pessoas foram afetadas. Perante a gravidade da situação, o Governo decretou alerta vermelho nacional, mantendo-se elevados os níveis de risco em várias regiões do país.

