O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira informações alarmantes sobre as tendências demográficas do Brasil, apontando uma redução constante no número de nascimentos e um crescimento nas taxas de mortalidade. Os dados, relativos a 2024, geram importantes reflexões sobre as transformações na composição populacional e nos padrões sociais da sociedade brasileira.

Queda nos Nascimentos: Uma Tendência Preocupante
Pelo sexto ano consecutivo, o número de nascimentos no Brasil registrou queda. Em 2024, o país teve 2.376.019 nascimentos, o que representa uma diminuição de 5,8% em relação ao ano anterior. Este é o sexto ano seguido de redução no número de pessoas nascidas vivas, com uma diferença de 302.091 nascimentos em relação a 2017, ano inicial da série histórica.

A queda foi mais acentuada entre 2023 e 2024, com uma taxa de declínio superior à dos anos anteriores, como entre 2016 e 2017 (5,1%) e 2019 e 2020 (4,7%). Em média, 2,7% (65.825) dos nascimentos registrados em 2024 ocorreram em anos anteriores, mas só foram formalmente registrados em 2024. Um dado interessante é que, no ano passado, nasceram mais meninos do que meninas: 51,1% dos bebês eram do sexo masculino, enquanto 48,7% eram femininos, uma inversão em relação à composição da população brasileira, que no Censo de 2022 apontou 51,5% de mulheres.
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Outro fator que contribui para a diminuição do número de nascimentos é o adiamento da maternidade. Em 2024, a maioria dos bebês foi gerada por mulheres com 25 anos ou mais, um fenômeno crescente que reflete mudanças nas escolhas de vida das mulheres brasileiras.
Aumento das Mortes: A Retomada de uma Tendência Pós-Pandemia
Em contraposição à queda no número de nascimentos, o Brasil observou um aumento no número de óbitos. Em 2024, o país registrou 1.516.381 mortes, um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. Este é o primeiro aumento significativo nas mortes desde o fim da pandemia de Covid-19, quando a taxa de óbitos havia registrado alta devido aos impactos diretos e indiretos da crise sanitária.
Dentre as causas de morte, aproximadamente 7% (103.287) foram provocadas por causas não naturais, como acidentes, afogamentos, homicídios e suicídios. O número de mortes por causas externas foi maior entre os homens, representando 85.244 óbitos, enquanto 18.043 mulheres faleceram em decorrência de causas não naturais. As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de óbitos não naturais, com 10% e 9%, respectivamente.

Esse aumento no número de mortes pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo o envelhecimento da população e o aumento das mortes por causas externas. O IBGE também aponta que, desde 2020, a redução na mortalidade observada anteriormente foi interrompida, refletindo uma nova realidade demográfica no Brasil.
Queda no Número de Separações e Mudança no Padrão de Guarda dos Filhos
Os dados sobre divórcios, também divulgados pelo IBGE, mostram uma redução no número de separações. Em 2024, o total de divórcios foi de 428.301, uma diminuição de 2,8% em relação ao ano anterior. Apesar da queda, o Norte do país registrou um aumento de 9,1% no número de divórcios, enquanto outras regiões como o Centro-Oeste (-11,8%) e o Nordeste (-3,1%) viram uma diminuição.
Além disso, a duração média dos casamentos antes do divórcio caiu de 16 para 13,8 anos em 2024, o que indica uma aceleração no fim dos relacionamentos. Os homens, em média, se divorciaram aos 44,5 anos, enquanto as mulheres se separaram aos 41,6 anos.
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Outro dado relevante é o aumento significativo da guarda compartilhada. Desde que a Lei 13.058 foi sancionada, em 2014, estabelecendo a guarda compartilhada como regra, a modalidade cresceu expressivamente. Em 2014, apenas 7,5% dos divórcios judiciais resultavam em guarda compartilhada, enquanto, em 2024, esse número saltou para 44,6%. Esse aumento reflete as mudanças culturais e legais no país, que visam promover uma divisão mais equitativa das responsabilidades parentais.
Esses dados fornecem uma visão abrangente das dinâmicas demográficas no Brasil, com implicações para a política pública, a economia e os padrões sociais do país.

