Crescimento impulsionado por entrada gratuita e novas exposições
O Museu de História Natural foi a atração mais visitada do Reino Unido em 2025, alcançando um número recorde de mais de 7,1 milhões de visitantes. Este valor representa um aumento de 13% face ao ano anterior e estabelece um máximo histórico para museus e galerias no país.

O sucesso da instituição londrina é atribuído a vários fatores, incluindo a renovação dos jardins exteriores, a abertura de uma nova galeria dedicada às alterações climáticas e o facto de a entrada permanecer gratuita. A exposição “Fixing Our Broken Planet”, centrada em soluções para a crise climática, destacou-se ao receber mais de dois milhões de visitantes, contribuindo para o crescimento pelo terceiro ano consecutivo.
Segundo Bernard Donoghue, diretor da Association of Leading Visitor Attractions, a atratividade do espaço reside também na experiência oferecida ao público: um programa acessível, educativo e adaptado a diferentes públicos, mesmo num contexto económico exigente.
Outras atrações registam quebras num contexto económico desafiante
Na lista das atrações mais populares, o British Museum ocupa o segundo lugar, com 6,4 milhões de visitantes. Seguem-se a Crown Estate em Windsor (4,9 milhões), a Tate Modern (4,5 milhões) e a National Gallery (4,1 milhões), que completa o top cinco.

Apesar destas posições, a maioria das instituições registou ligeiras quebras no número de visitantes face ao ano anterior, com exceção da National Gallery, que beneficiou da reabertura da ala Sainsbury e de uma reorganização das suas coleções. Ainda assim, muitos espaços continuam abaixo dos níveis registados em 2019, um ano particularmente forte para o setor cultural.
O abrandamento é explicado por fatores como a crise do custo de vida e a diminuição do turismo internacional. Muitas instituições enfrentaram dificuldades financeiras ao longo de 2025, agravadas por alterações fiscais introduzidas no orçamento de outono de 2024, incluindo o aumento das contribuições para a segurança social e do salário mínimo.
Queda do turismo internacional afeta recuperação do setor
Outro fator relevante é a redução no número de visitantes estrangeiros, sobretudo provenientes da China. A eliminação das compras isentas de impostos no Reino Unido tem tornado destinos como França, Espanha e Itália mais competitivos para turistas interessados em combinar cultura e consumo.
Dados indicam que Itália já recuperou cerca de 120% dos visitantes chineses face a 2019, enquanto o Reino Unido se mantém nos 81%, evidenciando uma perda de competitividade internacional.
Perante este cenário, representantes do setor defendem medidas como a redução do IVA nas atrações turísticas, a reintrodução de incentivos fiscais para visitantes internacionais e a eventual criação de uma taxa turística cujas receitas sejam reinvestidas na cultura.
Apesar dos desafios, o setor mantém perspetivas positivas para 2026, com a previsão de novas aberturas e exposições relevantes, incluindo iniciativas do British Museum, a criação do V&A East e novos projetos museológicos em Londres.

