Mulher defende marido acusado de extremismo

A mulher de um homem acusado de ligações a símbolos neonazis garantiu que o marido não tem qualquer associação a grupos extremistas, afirmando que se trata de uma pessoa com problemas de saúde mental agravados após uma agressão violenta. Kellie Wells, cidadã australiana, afirmou que o companheiro, com quem tem um filho, foi apanhado numa vaga de repressão governamental contra crimes de ódio.

homem deteriorou-se significativamente depois de ter sido atacado
Mulher defende marido acusado de extremismo © AFP

Segundo a esposa, o estado psicológico do homem deteriorou-se significativamente depois de ter sido atacado, em Janeiro, por oito adolescentes enquanto trabalhava como funcionário de limpeza num parque de estacionamento. De acordo com o relato, o grupo terá pontapeado e espancado a vítima enquanto esta se encontrava no chão, tendo ainda sido atingida na cabeça com uma barra metálica.

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O ataque provocou ferimentos na cabeça e um trauma psicológico profundo, deixando o homem incapacitado para trabalhar e praticamente isolado em casa ao longo de vários meses. “Não se trata de alguém pró-nazi. Ele não tem qualquer ligação a neonazis. É um caso claro de doença mental”, afirmou a esposa, acrescentando que o marido ficou sem rendimentos durante todo o ano e entrou “numa espiral muito negativa”.

Publicações atribuídas a surto de stress pós-traumático

Kellie Wells, que condenou o antissemitismo, classificando-o como “horrível”, garantiu ainda que o marido nunca foi uma pessoa violenta. As publicações polémicas que lhe são atribuídas foram descritas como um “surto de stress pós-traumático”.

Relativamente a uma espada com um símbolo nazi, alegadamente encontrada na residência do casal, a esposa explicou tratar-se de um objecto de plástico, encontrado pelo marido num parque de estacionamento. Segundo Wells, o companheiro é coleccionador de espadas e terá levado o objecto para casa sem qualquer motivação ideológica.

A situação colocou a família numa posição delicada, com a mulher e o filho a enfrentarem a possibilidade de separação ou de terem de se mudar para o Reino Unido sem meios financeiros suficientes, caso o homem seja afastado do país.

Governo australiano reforça medidas contra crimes de ódio

O caso surge num contexto de reforço das medidas adoptadas pelas autoridades australianas contra titulares de vistos que violem os requisitos de carácter. Este ano, um cidadão sul-africano identificado como neonazi foi deportado após participar num protesto antissemita em Sydney.

ataque ocorrido em Bondi Beach
Governo australiano reforça medidas contra crimes de ódio © AFP

Na sequência de um ataque ocorrido em Bondi Beach, a 14 de Dezembro, o Governo australiano anunciou a intenção de facilitar o cancelamento de vistos. O ministro responsável pela pasta da Imigração, Burke, defendeu o alargamento dos poderes para revogar autorizações de residência a pessoas com historial de exibição de símbolos de ódio, discurso de incitamento ao ódio ou actos de vilificação.

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Segundo o governante, as alterações legislativas visam facilitar a actuação da Polícia Federal Australiana na apresentação de acusações e reforçar a aplicação da lei aduaneira, permitindo uma intercepção mais eficaz de símbolos de ódio nas fronteiras. O objectivo, sublinhou, é impedir que este tipo de material circule ou seja mantido no país.

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