Moscovo às escuras após ataque de drones

A capital russa viveu momentos de grande perturbação depois de um ataque de drones, atribuído pelas autoridades de Moscovo à Ucrânia, ter provocado um apagão em larga escala. Estima-se que entre 100 mil e 600 mil pessoas tenham ficado sem eletricidade em vários bairros da cidade e da região envolvente, embora os números oficiais ainda não tenham sido totalmente confirmados.

A capital russa viveu momentos de grande perturbação
Moscovo às escuras após ataque de drones © X

Vídeos e fotografias divulgados nas redes sociais mostram extensas zonas residenciais completamente às escuras, incluindo grandes blocos habitacionais. Em diversas artérias da cidade, os candeeiros de iluminação pública deixaram de funcionar, criando cenários pouco habituais numa metrópole com mais de 13 milhões de habitantes. Durante várias horas, os faróis dos automóveis foram praticamente a única fonte de luz visível nas ruas.

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As autoridades locais recorreram à instalação de geradores móveis para restabelecer serviços essenciais, enquanto equipas técnicas trabalhavam para conter os danos na rede elétrica. O incidente gerou preocupação entre os residentes, sobretudo devido à falha simultânea das comunicações móveis em várias zonas afetadas.

Incêndio em subestação e falhas nas comunicações

De acordo com a administração da cidade de Ramenskoye, o apagão teve origem num incêndio numa subestação elétrica. No entanto, fontes oficiais russas e meios de comunicação locais apontam para um ataque com drones como causa do fogo, embora não seja ainda claro se o incêndio foi diretamente provocado por um impacto aéreo.

Bairros do sudeste da região de Moscovo, como Zhukovsky, Litkarino e Ramenskoye, registaram também a interrupção das comunicações móveis e de linhas fixas durante várias horas, deixando milhares de pessoas sem contacto com o exterior. Uma antiga porta-voz do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nas redes sociais que a região enfrentou um “apagão total”, com ausência de eletricidade e sinal de telecomunicações, descrevendo uma situação de isolamento temporário.

Apesar dos esforços das autoridades para normalizar os serviços, o episódio evidenciou a vulnerabilidade das infraestruturas críticas da capital russa perante ataques de longo alcance.

Defesa aérea interceta drones e aeroportos suspendem operações

O presidente da câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, afirmou que a defesa aérea russa intercetou pelo menos 100 drones num curto espaço de tempo, entre o final da tarde e o início da noite. A maioria dos aparelhos terá sido abatida sobre a região de Bryansk, junto à fronteira com a Ucrânia, enquanto vários outros foram neutralizados na própria região de Moscovo.

O Ministério da Defesa da Rússia indicou que, num período de três horas a partir das 20h locais, foram destruídos 27 drones ucranianos, incluindo três que sobrevoavam a área da capital. Estas interceções levaram à suspensão temporária das operações nos aeroportos de Moscovo, causando atrasos e cancelamentos de voos, bem como constrangimentos para milhares de passageiros.

O governador da região de Moscovo, Andrei Vorobyov, confirmou que, ao longo do dia, 21 drones foram abatidos e que uma pessoa ficou ferida na sequência dos ataques. As autoridades garantiram que a situação ficou sob controlo ao final da noite, embora algumas zonas tenham continuado a registar falhas pontuais de energia.

Escalada de tensão no contexto da guerra na Ucrânia

O ataque à capital russa ocorre num momento de crescente tensão política e militar. Um vídeo divulgado pela Metro mostra zonas de Moscovo completamente às escuras na sequência do apagão. Um dia antes, Moscovo acusou a Ucrânia de tentar atingir a residência do presidente Vladimir Putin, alegações que Kyiv rejeitou categoricamente, classificando-as como infundadas e destinadas a comprometer eventuais negociações de paz.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou recentemente que Kyiv mantém conversações com Washington sobre possíveis garantias de segurança, incluindo a hipótese de presença militar norte-americana em território ucraniano. Zelensky afirmou ainda estar disponível para um encontro direto com Vladimir Putin, apesar da profunda falta de confiança entre as duas partes, sublinhando que está preparado para qualquer formato de diálogo.

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O apagão em Moscovo reforça a perceção de que o conflito, iniciado pela Rússia há quase quatro anos, continua a ter impactos significativos para além das linhas da frente, atingindo cada vez mais centros urbanos e infraestruturas estratégicas.

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