A política de Bangladesh, Khaleda Zia, primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país, faleceu esta terça-feira aos 80 anos, após uma prolongada luta contra problemas de saúde. A sua morte foi confirmada pelo Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), do qual Zia foi uma figura central, na madrugada de terça-feira, após um período crítico em que foi mantida em suporte de vida.

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Trajetória política marcada por desafios e rivalidades
Khaleda Zia entrou para a política em 1981, após a morte do seu marido, Ziaur Rahman, presidente de Bangladesh, em um golpe militar. A partir daí, Zia tornou-se uma das líderes mais influentes do país. Em 1991, ela foi eleita a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra, sendo reconhecida por iniciativas que promoviam o avanço da educação feminina e o desenvolvimento social.
No entanto, sua carreira foi marcada por uma feroz rivalidade com Sheikh Hasina, a atual líder do país. Zia e Hasina protagonizaram um conflito político que perdurou por décadas, com Zia a ser uma das vozes mais críticas ao governo de Hasina. Em 2014, Zia boicotou as eleições devido à supressão de um sistema de governo interino que, segundo ela, garantiria maior imparcialidade no processo eleitoral.
Legado e impacto político
Apesar de enfrentar vários desafios, incluindo períodos em prisão e prisão domiciliária, a figura de Zia permaneceu como um símbolo de resistência ao regime de Hasina. Ao longo dos anos, Zia se tornou uma das principais opositoras da atual líder, especialmente após sua condenação por corrupção e o subsequente afastamento do poder.
Recentemente, Zia planejava retornar à política e disputar as eleições gerais em 2025, nas quais o BNP, seu partido, tentava uma recuperação do poder. A morte de Zia ocorre num momento de grande turbulência política, logo após a queda de Hasina, quando o país se prepara para uma nova fase política.
Em seus últimos dias, Zia foi mantida hospitalizada devido a complicações de saúde, incluindo problemas renais e doenças cardíacas. Mesmo afastada da vida pública, continuava a ser uma figura respeitada e uma referência para as forças de oposição no país. Muhammad Yunus, líder interino do BNP, descreveu Zia como uma “fonte de inspiração para a nação”, e ressaltou a sua contribuição vital para a democracia e a luta pelos direitos do povo bengali.
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A sua morte foi lamentada por líderes internacionais, incluindo o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que destacaram o impacto duradouro do seu legado para a política e para as relações de Bangladesh com os países vizinhos.

