O líder político Venâncio Mondlane rejeitou esta terça-feira que as manifestações pós-eleitorais em Moçambique tenham sido ilegais ou criminosas, questionando a pertinência dessa linguagem num momento em que decorre um diálogo nacional inclusivo.

As declarações foram feitas durante um encontro com membros do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), na província de Inhambane, no sul do país, que antecedeu uma marcha.
Mondlane aponta causas sociais e eleitorais dos protestos
Segundo Venâncio Mondlane, classificar os protestos como violentos e ilegais ignora as causas profundas que levaram milhares de cidadãos às ruas. O dirigente afirmou que, em 2023 e 2024, terão ocorrido irregularidades eleitorais, alegando “roubo de votos” e a desvirtuação da vontade popular, o que, na sua perspetiva, legitimou o direito ao protesto.
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“O problema é que quando falam das manifestações nunca dizem a causa”, afirmou Mondlane, acrescentando que a população se sentiu “burlada” e exerceu um direito constitucional ao manifestar-se. O líder do Anamola sublinhou ainda fatores sociais e económicos acumulados ao longo de décadas, que terão contribuído para um sentimento generalizado de exclusão e precariedade.
Críticas à repressão policial e defesa da legalidade dos protestos
Mondlane defendeu que as manifestações foram constitucionais, legítimas e motivadas por razões sociais, acusando as autoridades de repressão violenta e ilegal. “O que foi violento e criminoso foi a repressão das manifestações”, afirmou, reiterando que as causas dos protestos continuam por resolver.
O dirigente político insistiu que a resposta do Estado agravou a tensão social e comprometeu a confiança no processo democrático, apelando a que o diálogo em curso seja acompanhado por medidas concretas que respondam às reivindicações populares.
Posição do Presidente e contexto pós-eleitoral
Em dezembro passado, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou as manifestações como “violentas, ilegais e criminosas”, durante a apresentação do informe sobre o estado da nação no parlamento. Dois meses e meio após as eleições gerais de 9 de outubro, o Conselho Constitucional proclamou Chapo vencedor da eleição presidencial com 65,17% dos votos, resultado que Venâncio Mondlane, segundo classificado com 24%, nunca reconheceu.

Os confrontos pós-eleitorais provocaram cerca de 400 mortos, além de episódios de saques, paralisações e barricadas em estradas. A situação acalmou após encontros entre Mondlane e o Presidente Chapo, realizados a 23 de março.
Diálogo nacional como via para a estabilidade
Na última sexta-feira, Daniel Chapo manifestou a intenção de romper com o ciclo de violência pós-eleitoral e promover um país “normal” e permanentemente estável, defendendo o diálogo inclusivo como caminho para a reconciliação e a segurança.
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“Queremos que Moçambique deixe de viver ciclicamente o espectro de violência, sobretudo depois dos processos eleitorais”, afirmou o Presidente, sublinhando a necessidade de um futuro seguro e participativo para as próximas gerações.

