O Governo de Moçambique classificou como “bastante lamentável” a onda de ataques a imigrantes registada na África do Sul, garantindo que acompanha de perto a evolução da situação. A posição foi expressa pela ministra do Trabalho, Género e Ação Social, Ivete Alane, que sublinhou a preocupação das autoridades perante os episódios de violência.

Segundo a governante, o executivo tem mantido contacto diário com a representação laboral moçambicana naquele país e, até ao momento, não existem registos oficiais de cidadãos moçambicanos afetados. Ainda assim, garantiu que o acompanhamento será contínuo, com o objetivo de salvaguardar a segurança dos trabalhadores emigrados.
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Ivete Alane manifestou também a expectativa de que a situação seja resolvida rapidamente, apelando à promoção de um ambiente de convivência pacífica entre comunidades. “Vivemos num mundo em constante mobilidade, onde cidadãos estrangeiros estão presentes em vários países, sendo essencial garantir respeito e paz”, afirmou.
Tensões sociais e ataques a estrangeiros geram preocupação regional
A África do Sul tem registado episódios de tensão social dirigidos a migrantes, incluindo manifestações recentes que culminaram em ataques a estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros, sobretudo na província do Cabo Oriental.
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Perante este cenário, a embaixadora de Moçambique naquele país, Maria Gustavo, apelou à calma entre os cidadãos moçambicanos, aconselhando-os a evitarem zonas de risco e a manterem-se informados através de canais oficiais e líderes comunitários. A diplomata recomendou ainda que eventuais vítimas contactem os serviços consulares para reportar incidentes e obter apoio.
Oposição critica resposta governamental e pede ação conjunta
No plano político interno, partidos da oposição manifestaram preocupação com a situação e criticaram a atuação do Governo. O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos) defendeu a necessidade de ações conjuntas entre Maputo e Pretória, apontando alegadas falhas na resposta diplomática e consular.
Também o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) criticou o que considera ser um silêncio inicial do executivo, propondo a criação de uma comissão parlamentar para tratar o assunto junto das autoridades sul-africanas.
Por sua vez, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) apelou a uma intervenção urgente do Governo moçambicano junto da África do Sul, destacando a necessidade de garantir a segurança dos cidadãos no estrangeiro.
Histórico de violência xenófoba reforça alerta
Os episódios recentes reacendem preocupações antigas, numa altura em que a África do Sul continua a enfrentar desafios relacionados com a xenofobia. Incidentes registados em 2019 resultaram na morte de pelo menos 18 estrangeiros, de acordo com dados da Human Rights Watch.
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Face à recorrência destes casos, autoridades e organizações internacionais têm alertado para a necessidade de medidas estruturais que promovam a integração, a segurança e a proteção dos migrantes na região.

